Os Subterrâneos, Jack Kerouac

“Aturai-me ó leitores que amaram e sofreram pontadas, aturai-me homens que compreendem que o mar de negror nos olhos negros de uma mulher é o próprio mar solitário e quem pediria ao mar que se explicasse, ou perguntaria à mulher por que cruzas tuas mãos no colo sobre a rosa? ninguém -“

          Às vezes, você ouve falar muito sobre um determinado autor e seu “livro mais famoso e mais importante”, e corre atrás apenas desse livro. Então se surpreende quando, não achando o tal do livro mais famoso, compra outro do mesmo autor e se a-pai-xo-na!

          E assim pode ser resumida a minha primeira experiência “kerouaquiana”. Pois na falta de “On the Road”, “Os Subterrâneos” surgiu na minha frente e me conquistou…

Nascido Jean-Louis Lebris de Kerouac, Jack Kerouac é o símbolo máximo do movimento Beat, que nos rendeu uma série de escritores que buscavam um novo modo de ver e entender o mundo por meio da literatura, enquanto faziam experiências com jazz, drogas e zen-budismo, tais como Allen Ginsberg, Gregory Corso e Lawrence Ferlinghetti.

Dono de uma obra profundamente autobiográfica e um estilo único, rico, denso, alvo de críticas e elogios – Capote disse, certa feita, que Kerouac não escrevia, “datilografava” –, ele não escrevia de uma forma estruturada e coerente, nem se importava em usar marcos tradicionais, como pontuações. Sua escrita foi revolucionária ao trazer com mais vigor e energia que nunca o “fluxo de consciência”. Ótimo exemplo de seu estilo é este livro aqui, “Os Subterrâneos”.

Segundo consta nos autos (risos), o livro foi escrito durante três dias e três noites, criado a partir do mesmo vislumbre inspiracional que gerou “On The Road”.

          A história narrada é o romance de Leo Percepied e Mardou Fox – frequentadores dos subterrâneos de São Francisco, sendo ele o alter ego de Kerouac e ela, uma moça metade índia metade negra (na verdade, Kerouac narra o relacionamento que manteve com uma moça negra no verão de 1953 – lembre-se do histórico de preconceitos dos EUA nas últimas décadas…).

          Para quem está começando a conhecer os beats, este é um ótimo início, que pode parecer um tanto difícil no começo da leitura, mas que depois se desenrola facilmente, num verdadeiro “fluxo de consciência” e desabafo, e nos mostra uma história de becos, quartos escuros, amor, loucura, desencontros, sonhos partidos, artistas visionários e experiências vividas por quem está à margem da sociedade. E este, acima de qualquer outra coisa, é um livro de amor. Um livro poético sobre amor e solidão escrito por um mestre. Poesia em forma de prosa.

          Indispensável para quem se interessa pelos hipsters e hippies.

          (E prefiro “Os Subterrâneos” a “On the Road…)

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João Meireles
carioca e poeta. twitter: @_JaumMeireles instagram: @jaummeireles

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