O dia do Curinga, de Jostein Gaarder

Há muito tempo este livro estava guardado na estante de casa, foi me aconselhado à leitura, contudo ao ver o tamanho dele desisti na hora, não queria ler algo tão grande (mal sabia eu que leria livros maiores no futuro), mas pela curiosidade acabei lendo-o. (O que foi bom, pois acabei descobrindo o começo de um grande universo tanto literário quando filosófico.).

Este livro conta a história de um menino chamando Hans-Thomas, ele esta viajando com o pai para a Grécia a fim de encontrar a mãe, que estava perdida no mundo da moda, ao decorrer do caminho ele ganha um estranho presente de um anão frentista de posto e esse mesmo anão indica aos viajantes cansados uma pequena cidade, nas montanhas, onde eles poderiam passar a noite, o lugar se chama Dorf e lá Hans recebe outro presente estranho, agora do padeiro e percebendo a ligação entre esses dois presentes, Hans entra numa misteriosa história de cartas que ganham vida, ilha mágica, maldições familiares e o passado de sua família, tudo isso com “paradas para um café filosófico”, em outras palavras, momentos onde a se conta um pouco da história da Filosofia e uma iniciação à busca da sabedoria grega.

As personagens principais são Hans-Thomas, um curinga e um pequeno livro. Ao decorrer do livro Hans-Thomas ganha dois presentes estranhos e por causa desses presentes, ele acaba entrando em uma história paralela à sua, onde a realidade se mistura com a ficção contada pelo pequeno livro, durante as viagens, a viagem física e a viagem ficcional do livrinho, ele se depara com uma presença constante em ambas, um curinga que o persegue porque tem a necessidade de ficar perto do livro.

O Grande do Livro é a fusão da viagem para Grécia com a viagem do Livrinho, ao decorrer da leitura o leitor acaba se deparando com muitas trocas de cenários e por isso é necessário muita atenção, mas a leitura é bem gostosa. Contudo, as informações filosóficas expressas no livro podem te abrir os olhos e fazerem você enxergar a realidade através dos olhos de um curinga.

“A qualquer momento, e em qualquer parte, pode aparecer um pequeno bobo da corte usando um barrete e uma roupa cheia de guizos tintilantes. Ele nos olhará nos olhos e nos perguntará: ‘Quem somos? De onde viemos? ‘“.

O Dia do Curinga foi inspirado na pergunta: “Você já pensou que nun baralho existem muitas cartas de copas e de ouros, outras tantas de espadas e de paus, mas que existe apenas um curinga?”. Essa pergunta foi feita pela principal de outro livro do autor, O Mundo de Sophia, a menina Sophia faz esse questionamento a mãe e essa simples questão inspirou o autor a escrever outro livro.  A partir dessa questão é que se formou o enredo do livro, com base nela toda a história é desenvolvida, sobre a enigmática presença do curinga no baralho e no mundo.

O Livro conta com uma estrutura fantástica, cada capítulo possui um número e um naipe, contando assim com 53 capítulos começando por Ás de Espadas, Dois de Espadas, Três de Espadas, etc, seguido por Paus, Curinga (Único Capítulo), Ouros e Copas.

Ao ler este livro, a minha vida mudou, abri meus olhos e agora vejo coisas que pessoas comuns não veem, me tornei uma pessoa mais curiosa e questionadora, ao passo que posso me chamar curinga também, então será que somos curingas de nossas próprias vidas?

Extra: Calendário das Cartas

(Alerta a parte Extra possui alguns cálculos a serem resolvidos)

O nosso calendário (calendário gregoriano) é composto de 365 dias que totalizam um ano, divididos em 12 meses. Exceto em ano bissexto, que acontece a cada quatro anos, o mês de fevereiro ganha um dia a mais.

O calendário do livro é baseado na quantidade de cartas e naipes que um baralho possui. Um baralho possui 53 cartas, 52 compostos por Ás, Um, Dois, Três até o Rei, separados em naipes de paus, copas, espadas e ouros + o Curinga. Cada ano recebe nome de uma carta, cada mês recebe o nome de uma carta e cada semana também recebe o nome de uma carta.

O ano das cartas possui 13 meses compostos por 28 dias, cada mês recebe o nome de uma carta e ao final de um ano todas as cartas de um determinado naipe passam (de Ás de ouros até Rei de Ouros, por exemplo, sendo que cada carta representa um mês). O ciclo de anos só termina quando todas as cartas passam pelo ano, ou seja, só termina em 53 anos, do primeiro Ás até o Curinga. Na contagem das semanas o livro utiliza o número 52 cartas combinando assim o mesmo número de semanas que temos no calendário gregoriano: são 52 semanas + 1 dia (que seria o dia do curinga). Logo cada carta possui uma semana para si, menos o curinga que possui somente um dia e em anos bissextos (após a passagem dos quatro naipes pelos meses) o curinga ganha mais um dia, acontecendo assim dois dias do curinga.

Se você quer saber o ano que nasceu, o mês que nasceu e a semana é preciso ler o livro e descobrir quando foi o inicio desse jogo das cartas, como eles mesmos chamam no livro. Quem sabe você nasceu no ano do curinga? Desculpe pelas contas, ao longo da obra você leitor verá que é mais compreensível esse calendário.

Sobre o autor: Gabriel Inácio Luz. 20. Cursa Estudos Literários com enfoque interdisciplinar em artes na Unicamp, acredita no poder da arte, acredita na humanidade, busca acima de tudo sabedoria para essa vida sombria que nos foi dada e possui um simples sonho que é o de viver, isso mesmo apenas viver. 

Contato:  https://www.facebook.com/gabriel.inacio.luz

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