A Psicologia da Inteligência, Jean Piaget

tulo Original: La psychologie de l’intelligence

Autor: Jean William Fritz Piaget
Editora: Vozes, 2013
Páginas: 253
Tradução: Guilherme João de Freitas Teixeira

 

Jean Piaget é um nome ouvido por todos que já estudaram psicologia, pedagogia e teorias epistemológicas, e isso tem uma explicação bastante óbvia: ele é considerado um dos pensadores mais importantes do século passado. Ele criou uma teoria do conhecimento baseada no estudo da psicologia do pensamento humano, conhecida como Epistemologia Genética, e ao longo de grande parte de sua vida se dedicou a defender uma abordagem interdisciplinar para investigações epistemológicas.

 foto_jean.piagetPiaget é também muito lembrado graças à sua Teoria Cognitiva, criada para explicar o desenvolvimento cognitivo humano. Após minuciosa observação de seus filhos e outras crianças, ele desenvolveu sua teoria, uma das maiores contribuições para a psicologia do desenvolvimento, segundo a qual existiriam quatro estágios de desenvolvimento cognitivo no ser humano: o estágio sensório-motor, pré-operacional (ou pré-operatório), operatório concreto e operatório formal, a última fase da “evolução cognitiva”. Ou seja, as crianças precisariam estar desenvolvidas biologicamente para se desenvolverem cognitivamente. Com essa teoria, ele influenciou a pedagogia e a educação profundamente, afirmando que crianças “só podiam aprender o que estavam preparadas a assimilar”.

Neste livro, A Psicologia da Inteligência, lançado recentemente pela editora Vozes comemorando os 70 anos de sua primeira edição, encontramos a essência das aulas que Jean Piaget ministrou no Collège de France sobre a psicologia da inteligência, em 1942, durante a 2ª Guerra Mundial, momento em que era cobrado aos professores demonstrações de solidariedade e fidelidade aos “valores permanentes”. Como vemos na introdução, assinada pelo professor Ph.D. em psicologia Olivier Houdé, aquele ano era, para Piaget, o ano da “inteligência apesar de tudo”.

No livro, Piaget crítica o logicismo do filósofo Bertrand Russell e a forma como a percepção é compreendida pelos psicólogos da escola Gestalt. Dividido em três partes (“A natureza da inteligência”, “A inteligência e as funções sensório-motoras” e “O desenvolvimento do pensamento”), o autor esboça, através dos capítulos, seu ponto de vista sobre a constituição das operações (já citadas acima) e os mecanismos intelectuais existentes atrás de sua teoria da psicologia cognitiva. Vemos, ali, entre outros pontos, a definição do que é a inteligência para o autor; a caracterização do papel da inteligência em relação aos processos de adaptação biológica; a demonstração de que a inteligência “consiste essencialmente em ‘agrupar’ operações de acordo com determinadas estruturas definidas”; a inteligência concebida como a forma de equilíbrio “para a qual tendem todos os processos cognitivos” e qual a sua relação com as formas de percepção, com o hábito e como ela se desenvolve e se relaciona com a socialização.

Com acabamento impecável e ótima tradução, simples e direta, este é um dos dois livros mais acessíveis do autor. Devo dizer, todavia, que, para aqueles que não conhecem Piaget ou não são estudantes e/ou profissionais dessa área específica, o livro pode ser um tanto trabalhoso e aborrecido. Vale ressaltar, também, que uma das mais importantes contribuições do autor, neste livro, é o conceito de que as verdades lógico-matemáticas são um produto do cérebro, ou seja, parte do desenvolvimento intelectual da criança, que só aparece após o processo do desenvolvimento psicológico já ter iniciado. Alguns dos pontos fracos do livro (e das teorias do autor, segundo pesquisadores) são o tratamento superficial que ele dá aos fatores sociais em suas pesquisas e a fraca articulação da psicologia da inteligência com a biologia.

João Meireles
carioca e poeta. twitter: @_JaumMeireles instagram: @jaummeireles

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