Não se Desespere!, de Mario Sergio Cortella

Autor: Mario Sergio Cortella
Editora: Vozes, 2013
Páginas: 140

Muitos são os momentos que nos pegamos pensando na vida. Tolos que somos: de nada adianta pensar na vida porque a vida não se deixa pensar – ela é, ela pulsa. Resta-nos, então, pensar a vida ou pensar com a vida, ou seja, deixa-la fluir sobre nós sem que ela apenas passe, mas que gere produtos, reflexões, lucros e dividendos. Não se Desespere! de Mario Sergio Cortella faz esse papel de pensar a vida enquanto viva.

Não se Desespere!  são “provocações filosóficas”, temática que forma uma trilogia ao lado de Não Espere pelo Epitáfio! e Não Nascemos Prontos!, todos lançados pela Editora Vozes, agora compilados em um box. Com diversos e breves capítulos, o livro faz uma série de reflexões em relação a vida e como ela se mostra no mundo contemporâneo, levando sempre em conta uma ideia de que é preciso, de nossa parte, alguma intervenção, ação ou proatividade para que tudo saia do campo do “mesmo” para o mundo da mudança.

cortella2Cortella se utiliza de uma linguagem bastante simples, apesar de ser um filósofo, na busca de ser lido por todos os públicos: desde o público médio não leitor, aquele que gosta de vê-lo nas entrevistas com Jô Soares, até os aspirantes a filosofia que tenham a intenção de se iniciar na arte de pensar. Por ser um panorama, a obra pode ser inicialmente rasa, ou repleta de simplificações, no entanto, não deixa de conter “boas dicas” para uma vida de mais esperança, felicidade, coletividade e afeto.

Aliás, o prefácio da obra, escrito pelo filho de Cortella, Pedro Mota, já nos coloca diante da dimensão do afeto. A impressão que se tem é que não se fará apenas filosofia, a arte livre do pensar sobre tudo, mas um movimento de tornar o pensamento afetivamente acessível a todos, quase como se Cortella resolvesse escrever mais com o coração e menos com a razão, sem deixar de imaginar que ambas são instâncias psíquicas e não entidades independentes.

A impressão que se tem, no decorrer do livro, é que Cortella está tentando, em linhas gerais, nos passar uma responsabilidade com a vida e com outro, algo que está ligado com uma ética. Assim, é preciso, segundo ele, esperançar, fertilizar, cooperar e conviver – todas instâncias desse mundo ético que precisa evitar o que ele chama de biocídio, ou seja, a morte da vida, do outro, da diferença. Afinal de contas,

O que nos caracteriza é a possibilidade da recusa ao óbvio, a recusa àquilo que parece fatal, a incapacidade de desistir: a não desistência do futuro onde há dignidade coletiva, onde há possibilidade de felicidade, onde há possibilidade de liberdade a ser partilhada.

Não se Desespere! é este livro: viver, juntar e crescer, sem nunca, se desesperar, ou melhor, desesperançar.

Luiz Antonio Ribeiro
Formado em Teoria do Teatro pela UNIRIO, mestrando em Memória Social na área de poesia brasileira e graduando do curso de Letras/Literaturas. É adepto da leitura, pesquisa, cinema, cerveja, Flamengo e ócio criativo. Em geral, se arrepende do que escreve. Facebook: http://www.facebook.com/ziul.ribeiro Twitter: http://www.twitter.com/ziul

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