Vigilância Líquida, de Zygmunt Bauman

“A vigilância suaviza-se especialmente no reino do consumo. Velhas amarras se afrouxam à medida que fragmentos de dados pessoais obtidos para um objetivo são facilmente usados com outro fim. A vigilância se espalha reagindo à liquidez e reproduzindo-a”.

Zygmunt Bauman é considerado um dos maiores sociólogos vivos da atualidade. Grande estudioso das transformações de nossa sociedade e de seus movimentos subsequentes, Bauman é o criador da liquidez social. Com esse termo, o sociólogo polonês procura mostrar o quão fluída, inconstante e insegura é nossa modernidade em uma série de livros (mais de 30 publicados no Brasil), mostrando a liquidez em seus mais diversos aspectos.

Em Vigilância Líquida, Bauman trata de aspectos extremamente presentes no nosso dia-a-dia: o excesso de informações que disponibilizamos. É o mundo, de uma ponta à outra no globo, se acostumando à presença de câmeras nos observando 24h por dia, são as redes sociais que quebram qualquer tipo de barreira de vida pessoal ou até mesmo a simples busca no Google, que acaba monitorando cada um de nossos cliques.

“Somos permanentemente checados, monitorados, testados, avaliados, apreciados e julgados”.

O que esse livro chama a atenção é o quão fácil e rápido de ler ele é, mesmo possuindo temas extremamente densos e com grande aprofundamento. Talvez por se tratar de uma verdadeira conversa com o sociólogo David Lyon, o livro acaba se tornando muito agradável de ser lido. Além disso, é surpreendente a gama de assuntos que são abordados a partir do tema central da vigilância, todos intrinsecamente ligados e com uma proximidade com o leitor extremamente fascinante.

Porém, o que mais me deixou satisfeito com o livro foram os diálogos com outras obras. Além dos já costumeiros sociólogos da modernidade, como Foucault e Marx, Bauman se remete a todo tempo a escritores ficcionais de obras distópicas, tal qual Huxley e Orwell. Esse diálogo acaba deixando a obra com um entendimento ainda mais fácil, tornando o tema e a abordagem acessíveis para leitores que buscam um primeiro contato com o sociólogo polonês.

O encerramento da obra também é digno de nota e, provavelmente, o ponto alto do livro. Nele, Bauman e Lyon debatem sobre ética na vigilância e a esperança de que ela venha a ser utilizada de maneira benéfica e mais coerente no futuro.

Enfim, a obra é fascinante e, em minha opinião, uma das melhores dos últimos anos de Bauman. Ele continua com uma visão acerca da sociedade fascinante e muito a frente de qualquer outro estudioso dos atuais. Uma obra essencial para os que buscam novos conhecimentos sobre a falta de liberdade, o excesso de vigilância e a falsa segurança que vivemos. Além, é claro, para os admiradores do sociólogo e para os que pretendem começar a entrar no universo maravilhoso de seus livros.

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Confira a resenha de A Cultura no Mundo Líquido Moderno, de Zygmunt Bauman aqui!
Confira outra resenha de Vigilância Líquida, de Bauman aqui!

Matheus Mans
19 anos. Estudante de jornalismo que, nas horas vagas, é crítico literário, cinematográfico e musical. De vez em quando, tem ataques literários e se arrisca a escrever uma crônica ou um conto. Além disso, um devorador voraz de livros e obcecado por música brasileira.

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