Mídia – Propaganda política e manipulação, de Noam Chomsky

Editora: WMF Martins Fontes
Ano: 2013

À frente de seu tempo, Avram Noam Chomsky – ou como melhor o conhecemos Noam Chomsky – é considerado o maior intelectual vivo, além de ser um ícone importante nas áreas de linguística, filosofia e política.  Educado em uma escola que deixava de lado o conceito de avaliações formais e com um ideal muito mais livre, Chomsky – que já vinha de uma família engajada nas artes da linguística – tornou-se um homem singular: aos dez publicava seu primeiro artigo, já com uma visão política aguçada. É este aspecto que não deixaremos de encontrar na obra que aqui apresento a vocês.

Em Mídia – Propaganda política e manipulação, Chomsky baseia-se na crucial pergunta que inicia o livro: “em que tipo de mundo e de sociedade queremos viver e, sobretudo, em que espécie de democracia estamos pensando quando desejamos que essa sociedade seja democrática?”. Partindo deste ponto, o teórico nos apresenta duas formas de democracia – uma delas, de acordo com a definição do dicionário: igualitária e livre; a outra, a que acontece na prática. Resta saber se estas duas coincidem. Parece que não.

Pra nos convencer desta visão, o autor utiliza-se exemplos como a Comissão Creel, surgida no meio da Primeira Grande Guerra, que era basicamente uma máquina de propaganda do Estado americano cujo propósito – alcançado, aliás – era convencer os americanos de que o mundo necessitava ser salvo dos alemães de forma “histérica e belicosa”. O mesmo aconteceu com o comunismo, ou, como era chamado, “Pânico Vermelho”, e isto abriu portas para a repressão da liberdade de expressão e também dos sindicatos. Isto te faz lembrar alguma coisa?

Créditos: EC-18-05-2013 Rio de Janeiro. Censura durante a ditadura militar. Memoria da imprensa. Jornal Estado de São Paulo. / O Globo

“A propaganda política está para uma democracia assim como o porrete está para um Estado totalitário.” (p.21)

            Baseando-se na sociedade norte-americana e olhando-a com olhos críticos, Chomsky ergue um panorama de como os chamados Estados democráticos articulam-se para que a nova forma de repressão seja confundida com a liberdade proposta por esta mesma democracia na qual eles se escondem. Então, a propaganda política, os slogans patrióticos, a construção de opinião e, consequentemente, a manipulação de massas entram na partida através de uma mídia omissa e um sistema educacional submisso.

O teórico não deixa de citar também a imagem de um inimigo externo criado pelos Estados Unidos para deflorar o sentimento de massa na população – assim todos unem-se da forma mais violenta e, novamente, histérica possível para combater o mal que vem de fora. Parte esta que lembra-nos bastante a sociedade retratada em 1984, de Orwell quanto às recorrentes guerras travadas contra os megablocos de Eurásia e  Lestásia. O que não causa espanto, visto que Chomsky tem uma admiração declarada por Dwight MacDonald – conhecido por nós como o autor da obra supracitada.

Alguns exemplos que ele usa como estes inimigos são os narcotraficantes e os terroristas internacionais, relacionados quase instantaneamente a pessoas com origem ou genealogia no oriente-médio. Tópico que se faz presente na última parte do livro, uma palestra transcrita na em que Chomsky usa o exemplo de um “jornalista marciano”, que, livre de ideologias terráqueas, relata a guerra EUA x terroristas orientais como um condor – em uma visão que não se envolve no meio observado -, de forma com que os fatos não fossem estudados e divulgados na mídia sem antes a busca de uma origem para eles.

Por fim, através desta obra, o autor atiça no leitor um olhar crítico para a sociedade e a democracia em que acreditamos viver. Usando de argumentos históricos e embasamento teórico Chomsky descontrói a democracia que acontece tentando desmascará-la através da mídia produzida pelo Estado e a linguagem adotada por ele.  Se você também quer sair desta zona de conforto através  de uma leitura fácil e nada intimidadora, como propõe o teórico durante o livro, não hesite em ler Mídia – Propaganda política e manipulação.

*Imagem no texto retirada de: EC-18-05-2013 Rio de Janeiro. Censura durante a ditadura militar. Memoria da imprensa. Jornal Estado de São Paulo. / O Globo

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Ana Martins
Dezenove anos de procrastinação, literatura, Rock'n Roll e MPB. Aspirante escritora e estudante de Jornalismo na UFSJ. Faz o que pode como editora da revista regional Catarse. Paulista de nascença e mineira de coração.
http://sinestesianestesica.blogspot.com.br/

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