Madame Bovary, de Gustave Flaubert

Autor: Gustave Flaubert;   Editora: Abril coleções, 2010;  444 páginas.

O maior sonho que permeia o imaginário da grande maioria do universo feminino ainda é o casamento, talvez este ideal de vida esteja mudando, mas mesmo nos tempos atuais muitas mulheres ainda sonham, se não com o casamento, com o “príncipe encantado” e com uma vida feliz que só se concretizará com a presença deste. Com Madame Bovary não foi diferente, seu projeto de vida era se casar e ter uma vida social ativa ao lado do marido e juntos serem felizes para sempre, mas não foi bem assim que aconteceu.

O romance francês publicado por Gustave Flaubert em 1857 que carrega o nome da protagonista tornou-se um paradigma para as histórias de amor infelizes cujo cenário é o adultério. Embora o romance carregue o nome da grande protagonista, Emma Bovary só aparece a partir do capitulo dois e só assume o lugar de protagonista principal do romance depois de casada. Quando solteira Emma morava no campo com seu pai viúvo, era uma jovem e bela provinciana cuja educação que recebera se resumia à obediência aos pais e ao marido. Emma conhece o médico Charles Bovary com quem se casa e vai morar em uma pequena cidade chamada Tostes.

Depois de casada Emma começa a executar seus planos para a vida de esposa com que sempre sonhara. Seu desejo de estar usando sempre as últimas novidades da moda e a esperança de encontrar no casamento não somente o homem de seus sonhos, mas também uma vida financeira confortável e que lhe configurasse um bom status social fazem de Madame Bovary uma alma à frente de seu tempo, pois naquela época a grande maioria dos casamentos tinha outra motivação. Afora tudo isso, Emma busca a incessante perfeição do corpo aderindo a regimes de emagrecimento para poder aparecer mais bela junto ao marido na alta sociedade, entretanto, seu humor muda repentinamente quando percebe o marasmo e o tédio em que seu casamento se transforma. São seus desejos de viver uma vida de luxo e de riquezas que a fazem enxergar sua existência como algo extremamente desprezível e sem sentido.

ema bovary

Emma é leitora de romances românticos com os quais ocupa grande parte de seu ócio. No anseio de viver a heroína de um romance romanesco, ela encontra um amante em quem espera deparar-se com o amor, a beleza e o sentido da vida que jamais tivera, nem no campo nem na cidade, nem na vida de solteira nem na vida de casada. Seu marido, um homem apático, vazio e entediante; seu casamento, frio, sem brilho e sem as grandes emoções dos “verdadeiros romances”. Sua frustração se deve a uma vida que vai se distanciando cada vez mais das personagens de romance que conhecia, seu conceito de amor estava associado ao glamour dos bailes, dos teatros, dos palácios, de um modo de vida burguês ao qual Emma não pertencia e por isso tinha a impressão de que seu casamento não se realizara. Seu marido era um homem acomodado e frio, sua falta de ambição era o que mais a incomodava, pois o mundo idealizado por Emma era outro.

De tal forma tomada pelos anseios da burguesia, nem mesmo a maternidade foi capaz de modificar seu comportamento e fazer com que ocupasse seu tempo cuidando da filha, nunca manifesta qualquer emoção durante o período da gravidez, embora se sentisse frustrada por não poder comprar um enxoval luxuoso para a filha. Sua busca incessante pelo ideal de felicidade a transforma em uma mulher egoísta a ponto de entregar a filha a uma ama. Com o tempo Emma passa a detestar o marido e aproxima-se de Léon de quem se torna amante, porém o “romance” dura pouco, pois Léon, assim como Emma tem seus ideais burgueses dos quais ela não fazia parte. Emma torna-se amante de Rodolphe Boulanger, um homem de 34 anos, com quem planeja uma fuga para Paris, mas este logo percebe sua futilidade e também a abandona.

A trama culmina para um final trágico em tom de fofoca provinciana no qual não há a menor possibilidade de concretização da felicidade sonhada por Emma Bovary. Flaubert parece ter criado o romance para as pessoas que viviam as fantasias típicas da burguesia francesa da época, pois conhecia o estrago que tal veneno poderia causar.

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Francisco Venâncio
Formado em Letras pelo Centro Universitário Padre Anchieta em Jundiaí/SP.

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