Se eu ficar, de Gayle Forman

“Eu estava conversando com Liz e ela disse que talvez voltar para sua antiga vida seja doloroso demais, que talvez seja mais fácil para você nos apagar. E isso seria uma droga, mas eu faço. Eu posso perder você dessa forma se eu não te perder hoje. Eu te deixo ir. Se você ficar.”

Comecei a leitura de Se eu ficar com uma expectativa muito alta. Talvez por ter me animado com o trailer do filme, a ser lançado em breve. Não sei bem. Só sei que achava que tinha um baita livro em mãos. Aos poucos, porém, me desanimei e acabei notando que não era um livro que satisfaz meu tipo de leitura. Porém, mesmo assim, devo atestar a ótima qualidade da história e dos personagens, ideal para certo tipo de leitores.

A obra narra duas histórias em paralelo: a primeira é o presente, onde Mia e sua família sofrem um grave acidente de carro, no qual apenas ela sobrevive. Juntamente, são contadas histórias do passado de Mia: sua relação com os pais e o irmão, com sua amiga Kim e, principalmente, com seu namorado Adam.

O mais interessante, talvez, seja o fato de que as complicações passadas no hospital são todas narradas pela própria Mia, enxergando a situação como se estivesse fora de seu corpo. A angústia da personagem é transmitida de maneira arrebatadora aos leitores. E talvez por isso, esse seja o segmento mais interessante da obra e o que mais desperta interesse.

“Mia tem uma linda família, amigos, um grande amor e um talento incrível. De repente, tudo muda. Agora ela terá que fazer a escolha mais importante de todas”

Porém, ele era a todo tempo interrompido pelas histórias do passado de Mia. Obviamente, é necessária uma contextualização para sabermos como foi a vida dela, de seus pais e de seu namorado. Só que isso acabou cansando um pouco. A relação com o namorado foi exageradamente detalhada e o relacionamento com os pais foi mal construído. A todo o momento ela os chamava de papai e mamãe, sendo que tem uma idade mais avançada. Erro grave da escritora, atribuindo palavras infantis a uma adolescente.

Só que os pontos positivos acabam se sobrepondo, no final. A emoção que Mia sente observando seus parentes, amigos e namorados é muito bem escrita por Gayle Forman, a autora. É difícil realmente não se emocionar em alguns momentos. Os personagens dos avôs, apesar de aparecerem pouco, são ótimos. São, talvez, os pontos altos das cenas do hospital.

Aliás, ponto positivo para os personagens. Forman é uma ótima criadora de tipos. Mia, seus pais, a amiga Kim, os avôs e até mesmo o personagem clichê Adam, o namorado, possuem um ótimo aprofundamento. Consegue-se visualizar o sofrimento de cada um deles com gestos, diálogos, atitudes.

“Todo esse lance de coma induzido é papo de médico, não cabe aos médicos, não depende dos anjos que não podemos ver. Também não depende de Deus que, se existir, está em algum outro lugar por aí neste momento. Só depende de mim.”

Enfim, Se eu ficar é um bom livro, mas não me conquistou totalmente. Talvez pelas demasiadas cenas de romance com o namorado de Mia. Porém, para pessoas que gostam de histórias que misturam emoções fortes com romance (A Culpa é das Estrelas, por exemplo) tem mais chances de gostar da trama. Ela é simples, mas forte; bem escrita e nem um pouco difícil de ler. Recomendo para os que gostam de histórias assim.

Vale dizer que o filme baseado na obra será lançado em breve. Conta com a interpretação do fenômeno teen Chloë Grace Moretz. E parece ser muito bem adaptado.

Matheus Mans
19 anos. Estudante de jornalismo que, nas horas vagas, é crítico literário, cinematográfico e musical. De vez em quando, tem ataques literários e se arrisca a escrever uma crônica ou um conto. Além disso, um devorador voraz de livros e obcecado por música brasileira.

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