Dom Casmurro, de Machado de Assis

Autor: Machado de Assis.

Editora: Folha – Coleção grandes escritores brasileiros.

Páginas: 332.

Dom Casmurro é uma dessas obras que circula pelo imaginário coletivo daqueles que se interessam por literatura, suas personagens caíram na graça da cultura popular e têm-se tornado motivo de amplos debates que giram em torno da velha questão: traiu ou não traiu? O romance é o sétimo entre os nove romances publicados por Machado de Assis, sendo o primeiro a ser impresso em forma de livro, os outros foram publicados primeiramente em folhetim para somente depois serem recolhidos em livro.

Nas primeiras linhas do romance, o narrador de Dom Casmurro explica que a escolha por “casmurro” não é aleatória e que o sentido da expressão não é dicionarizado, mas que significa “o vulgo de homem calado e metido consigo” e que o “dom” tem um sentido irônico, destarte, o narrador vai aos poucos dando as pistas necessárias para que o leitor não se perca na trama, isto é, se o leitor desconsiderar as metáforas, a ironia e as metáforas irônicas presentes no texto, certamente não entenderá do que se trata.

O texto é escrito em primeira pessoa e o que nos apresenta é um narrador casmurro, equivocado e com uma forma dúbia de ver a realidade, que simula e dissimula os eventos com origem nos comentários de terceiros. Os diversos monólogos interiores expressam sua forma subjetiva de ver o mundo e consegue confundir e enganar o leitor por meio de um discurso construído por meio de uma linguagem oblíqua e dissimulada como os “olhos de ressaca”, título do capítulo XXXII, que é o olhar da dúvida, do vai e vem, do traiu ou não traiu.bentinho e capitu

Uma das questões mais presentes na trama, a dúvida de Bentinho, sua incerteza sobre a fidelidade de Capitu, dúvida esta que irá persegui-lo durante toda a história até o desfecho. A dúvida que é o lugar trágico em Hamlet (ser ou não ser?) e Othelo, ambas tragédias de Shakespeare, nas quais o herói sofre na procura pela verdade, é também para Bentinho que está em constante busca pela verdade, o que contribui para a desgraça, para a resignação, para o sofrimento e que consequentemente induz o leitor à catarse.

Francisco Venâncio
Formado em Letras pelo Centro Universitário Padre Anchieta em Jundiaí/SP.

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