Indique Especial: 10 Livros para ler nas férias!

O período de férias para amantes da leitura como nós é sempre propício para colocar em dia os livros que ficaram para trás. Alguns foram recomendados por professores e deixamos de lado por conta das aulas, outros são dicas de chefes que nos encheram de trabalho que nos tiraram o tempo da leitura. Seja indicado por amigos, parentes e, inclusive, por nós mesmos, ler nas férias é sempre muito bom: às vezes, queremos descansar e ler algo bem leve, às vezes queremos mexer com os neurônios e aprender um bocadinho. O Indique um Livro se propõe agora a Indicar 10 livros para ler nas férias perfeitas, segundo nossos colaboradores. Tentamos indicar livros de todos os estilos e para todos os gostos. Confira e comente:

1- Deuses Americanos, de Neil Gaiman

Volume de sucesso, publicado em 2001 pelo renomado Neil Gaiman, a história se desprende num país que está colocando seus valores passados em contraste com a modernidade e novas tecnologias. Com um toque de humor e recheado de referências (de Edgar Allan Poe à The Velvet Underground), o realismo fantástico e a escrita alegórica de Gaiman faz com que o leitor reflita no que ele mesmo acredita e percebe, além de enturmar muito bem o carismático personagem principal. Leitura fluída. Livro para adultos (ref. sexo, drogas, crimes).

Por Caio Oleskovicz

2- A Idade da Razão, de Jean-Paul Sartre

Clássico da filosofia existencialista, o livro mostra através de diálogos dinâmicos e cenários imaginativos a ascensão da filosofia na França, especificamente na vida dos intrépidos personagens principais, que vão se descobrindo cada vez mais responsáveis pelo que escolhem, ainda que suas escolhas não sejam de sua completa responsabilidade própria. A maestria argumentativa e metafórica de Sartre é percebida em cada diálogo, cada entrelinha. Leitura densa. Livro para adultos (ref. sexo, drogas).

Por Caio Oleskovicz

3- Amar, Verbo Intransitivo, de Mário de Andrade

Amar, Verbo Intransitivo é a combinação perfeita para se ler nas férias. Trata-se de um livro que ativa tanto o intelectual quanto o emocional. Por se tratar de uma obra imersa no modernismo, possui a escrita baseada na linguagem coloquial e nas digressões metalinguísticas e filosóficas. Tem um caráter denso, utilizando-se inclusive, do pensamento de Freud para expor as relações amorosas-sentimentais que desvendariam o obscuro do homem e, principalmente, da mulher. 
Ao mesmo tempo, no entanto, e aí está o porquê de ler esta obra nas férias, Amar, Verbo Intransitivo é uma obra profundamente afetiva que conta a história de um adolescente apaixonado por uma mulher mais velha. Mário descreve a obra como um idílio, ou seja, uma composição singela sobre o amor. Entretanto, não é exatamente isso que se lê, principalmente quando se descobre os pensamentos da governanta alemã Fraülein.

Por Luiz Ribeiro

4- O Corcunda de Notre Dame, por Victor Hugo

Como o próprio título já sugere, neste romance há um misto de sublime e grotesco. A narrativa se passa na França do século XV em cujo cenário nos deparamos com a bela capela de Notre Dame que abriga Quasímodo, a criatura de estranha aparência. A monstruosidade de Quasímodo faz dele um elemento tão medieval quanto à própria catedral e assim, aos poucos os dois começam a tomar a mesma forma “como o caramujo toma a forma da concha”. O belo e o feio, o erudito e o popular, o bem e o mal ora se fundem, ora trocam de lugar assim como acontece na vida e assim Victor Hugo nos oferece uma das grandes obras da humanidade.

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/12/27/o-corcunda-de-notre-dame-de-victor-hugo-2/

Por Francisco Venâncio

5- Solar, de Ian McEwan

“Solar”, do escritor inglês Ian McEwan, usa o aquecimento global como pano de fundo para contar a história de Michal Beard, um cientista ganhador do prêmio Nobel convidado a solucionar o caos climático. Com citações científicas para Al Gore nenhum botar defeito, McEwan desenha uma trama onde a ignorância reina em todos os lugares, ironicamente. Beard é incapaz de lidar com as transformações químicas do amor, e menos ainda de entendê-las. Casa e descasa como quem troca de meias, é arrogante demais para admitir que não entende muita coisa da vida fora do laboratório, e passivo ao extremo. Maravilhosamente bem escrito, a sutileza do texto cativa na descrição desse personagem cheio de defeitos e irresistivelmente humano.

Por Leonardo Cândido Simões

6- As Crônicas de Gelo e Fogo: A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin 

Que tal aproveitar as férias para começar uma nova saga ou ir à fonte literária da famosa série de TV Game of Thrones? Partindo de uma inspiração claramente medieval, e nada inocente, George R. R. Martin constrói um mundo fantástico e épico, mas absurdamente humano ao mesmo tempo. Intrigas, ódio, traição, sexo e violência se destacam em um local onde alianças surgem a partir de trocas de favores e casamentos arranjados, onde tronos são usurpados e servos traem seus reis. A forma como a história é narrada, com cada capítulo dedicado ao ponto de vista e ao que se passa com determinados personagens, nos deixa ainda mais próximos daqueles que irão redefinir, à base de muito sangue, a história do fictício continente de Westeros.

Por Bia Fonseca

7- O cão dos Baskeville, de Sir Arthur Conan Doyle

Tida como uma das histórias mais famosas de Sherlock Holmes, também tem a reputação de ser a mais aterrorizante. Nesta assustadora aventura, que se passa bem longe da Backer Street n.o 221B, Sherlock e Watson se veem envolvidos em uma trama repleta de lendas e enigmas. Na região de Dartmoor, oeste da Inglaterra, um rico homem é encontrado morto, e logo antigos medos retornam à superfície pantanosa do Solar dos Baskerville. Um clã repleto de histórias de horror sobre um cão sinistro que tinha o péssimo hábito de matar os homens da família. À princípio lendas de uma região sombria e nada mais. Contudo, aos poucos percebemos que a escuridão não reside apenas no imaginário. É uma ótima pedida para quem deseja ver uma outra faceta de Watson, a de investigador.

Por Bia Fonseca

8- Orgulho e Preconceito, de Jane Austen 

Considerada um dos romances mais conhecidos, a obra de Jane Austen tem peculiaridades que precisam ser revisitadas. O diálogo afiado, a postura audaciosa de Elizabeth Bennet e o comportamento ambíguo de Mr.Darcy se mostram ainda mais refinados numa segunda leitura ou quando lemos buscando ir além do mero romance, associando as frases de Lizzie às críticas da própria autora ao casamento como um arranjo social. A base psicológica que Austen concede aos dois personagens dá força ao enredo que cresce em um ritmo delicioso de acompanhar.

Leia a resenha:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/07/29/orgulho-e-preconceito-de-jane-austen/

Por Marina Franconeti

9- O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman 

Este é um livro que é capaz de nos resgatar da vida cotidiana, seja nas férias, seja nos semestres atribulados, deixando em nossas mãos uma história doce que dialoga muito bem com a melancolia de quem relembra a própria infância. O narrador encontra aventuras inimagináveis com as Hempstock, uma família de três mulheres que dão um novo significado à vida desse menino solitário, o qual nos conta a sua história e que pode ser a criança que muitos de nós fomos: apaixonado pelos livros, com um olhar aguçado ao novo e que encontra a felicidade em um prato cheio de doces. O livro de Neil Gaiman guarda frases, cheiros, lembranças e sensações inesquecíveis.

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/11/10/o-oceano-no-fim-do-caminho-de-neil-gaiman/

Por Marina Franconeti

10- Pinochio, de de Winsh Luss 

O que temos com essa HQ nada mais é do que um conto de fadas adulto. Ok, é injusto limitar seu conteúdo apenas com esta classificação, mas é o sentimento que temos ao chegar no fim. O francês Winsh Luss traz um Pinóquio bem diferente e mais cativante, fruto de um cientista, ele foi criado para fins militares que acaba dando errado. Logo no começo nos deparamos com uma cena bem violenta, e no decorrer a história não alivia: Branca de Neve e anões tarados, necrofilia, estupro, esquartejamento, trabalho forçado e críticas sutis a sistemas de governo; e entre um capítulo e outro vemos as ideias de Jimmy, a barata, na cabeça de Pinóquio – o que seria o Grilo Falante se fosse alcoólatra.

Por Italo Machado

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Estas resenhas foram elaboradas pelos colaboradores do Indique um Livro ou enviadas por um leitor. Os créditos estão dados ao final do texto. O Indique um Livro é um projeto Literatortura.

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