Indique um Autor: Fiódor Dostoiévski

Fiódor Dostoiévski 

(São Petesburgo, 11 de Novembro de 1821 – 9 de Fevereiro de 1881)

A literatura de Dostoiévski até hoje é desafiadora: violenta, agressiva, sabe penetrar nos meandros do ser humano e, pouco a pouco e extensivamente, conseguir desvelar instâncias que até então pareciam submersas. Aos poucos, então, as características, qualidades e defeitos se tornam vícios, obsessões e perseguem seus personagens que não conseguem escapar de si. Não é incomum ao ler uma obra do autor chegarmos a impasses: não se tratam de figuras, de personagens ou de histórias, mas de caminhos, destinos, vias que não se podem alterar ou mudar. Por conta disso, ainda hoje é considerado um dos melhores autores de todos os tempos. Nasceu clássico, viveu clássico e, provavelmente, assim permanecerá. O Indique um Livro listou algumas de suas principais obras. Confira:

 

Obra-Prima: Crime e Castigo

Crime e Castigo, uma das principais obras de Fiódor Dostoievski, conta a história deRodion Romanovitch Raskólnikov, um jovem que vive em um pequeno apartamento alugado. Beirando à miséria, o ex estudante de Direito busca realizar feitos importantes de modo a dar sentido à vida que, para ele, se apresenta como um monótono dia a dia no qual as pessoas, que ele julga se dividirem em pessoas comuns e pessoas extraordinárias, apenas sobrevivem. No decorrer de suas reflexões, Raskólnikov começa a se questionar porque homens como Napoleão, que foram responsáveis por milhares de mortes, são considerados grandes nomes pela História.
Partindo desta reflexão, o personagem se pergunta por que ele mesmo não poderia ser como estes homens. Por que não matar a velha que aluga seu apartamento e vive de aluguéis e juros – algo que ele vê como moralmente condenável? Em sua mente, ele não poderia ser responsabilizado por isso, pois estaria fazendo um bem à Humanidade, assim como os grandes homens que, durante a História, tiveram que agir de forma violenta para garantir um “bem maior”. Raskólnikov, então, mata a velha, o que desencadeia uma série de acontecimentos perturbadores.

Leia a resenha completa: http://indiqueumlivro.literatortura.com/2015/01/06/crime-e-castigo-de-fiodor-dostoievski/

Por Luisa Bertrami D’Angelo

 

Primeiros Passos: Memórias do Subsolo

Memórias do Subsolo, de Dostoiévski, é um livro tão pesado quanto é breve. Apesar de ser um livro curto, ele é é dividido em duas partes: na primeira vemos o narrador apresentar-se, descrevendo-se como um ser extremamente pessimista e que se considera um homem mal, doente, que despreza o mundo e até a si mesmo. O narrador mergulha em sua mente, expondo suas filosofias e memórias, e assim chega à segunda parte do livro, composta de fatos da vida do narrador que o levam às reflexões iniciais. O importante deste livro, porém, não são os fatos em si ou o enredo, mas os ideiais expostos. O subnsolo é a consciência do narrador, e ele sente-se doente por chegar ao subsolo. Este é um livro que mexe com o leitor, o desafiando a refletir sobre o subsolo de sua própria consciência.

Por Amanda Leonardi

 

Vale a Indicação: Os Irmãos Karamazóv 

Escrita em 1879, a história trata sobre a família Karamázov, situada em uma pequena aldeia da Rússia, como afirma o próprio autor, composta por Fiódor Pavlovitch Karamázov, um homem ganancioso e debochado que enriqueceu às custas de suas duas únicas esposas, e seus três filhos: Dmitri, Ivan e Aliêksei Fiodorovitch Karamázov (também conhecido como Aliócha)¹. Há ainda um possível quarto filho de Fiódor, de procedência ilegítima, chamado de Smierdiákov.
Dostoiévski faz interessantes análises sobre o amor, a solidariedade e comportamentos do homem em sociedade, que se deveriam somente à crença da humanidade na imortalidade, sendo desnecessários e impossíveis diante do fim da imagem de um ser onipresente e da crença na imortalidade, sobrando somente a selvageria, o egoísmo e, inevitavelmente, o crime.

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/…/os-irmaos…/

Por Luiz Ribeiro

 

O mais diferente: Noites Brancas

Esquecido por muitos e considerado fraco por outros, Noites Brancas, de Fiódor Dostoivévski, só pode ser compreendido a partir de sua data de publicação, 1848, ou seja, antes do famoso romancista russo ser considerado subversivo pelo Czar Nicolau I e enviado à Sibéria como forma de punição. Desta forma, não se pode esperar ver naquelas páginas o autor de Crime e Castigo ou O Idiota, pois ele simplesmente não existia. O título deste breve romance faz referência as noites de primavera/verão de São Petersburgo, nas quais o sol nunca se põe por completo, deixando uma tênue claridade no ar, fazendo da então capital do Império Russo o cenário perfeito para o bom e velho romance. Em uma dessas noites o sonhador sem nome, protagonista e narrador, vaga pelas margens de um dos vários canais da cidade quando como num sonho se depara com uma linda e chorosa jovem com a qual se põe a conversar. Um amor platônico se constrói. Íntimas revelações ditas à luz da noite. Ele relata com minúcias sua vida solitária, decorrida entre realidades fictícias e paredes atabacadas. Enquanto Nástienhka abre seu coração ao falar da vida passada, literalmente, sob a barra da saia de sua avó e de um repentino amor do passado, ao qual ainda espera. É um livro sobre amor, mas também sobre solidão, ou seria um livro sobre solidão, mas que também trata de amor? Isso cabe a cada leitor concluir. Não considero um bom livro de entrada para quem nunca leu Dostoivévski, mas definitivamente deve ser lido por aqueles que o admiram, além da história ser de fato bacana.

Por Bia Fonseca

 

Vale a Lembrança: O Jogador 

O Jogador, de Fiódor Dostoiévski, é um breve romance do autor russo que conta a história de Aleksei Ivánovitch, o preceptor de uma família que mora num hotel, contratado por um general. Por ter uma dupla função de, ao mesmo tempo, estar próximo à família, mas não pertencer a ela, consegue observar todas as questões subjetivas que envolvem aquela sociedade pelas entrelinhas. Vai notar, principalmente, um enorme jogo de relações que se dão na espera que uma senhora, a “avó” da família, morra e deixe sua herança para os que ficam.
A grande questão do livro, a meu ver, se dá porque não se pode precocemente atribuir a ninguém a função de “O Jogador”. Se Aleksei vai, aos poucos, se tornando um homem dependente dos jogos de roleta e até se fascinando pela ideia de risco que só a possibilidade de perder tudo pode lhe dar, jogadores também serão os demais que apostam “na vida” ao tramar planos e projetos a partir do dinheiro que ainda não possuem.
O Jogador é a obra desse jogar, desses burgueses que percebem na vida uma oportunidade para (se) jogar no mundo. A vida, ao fim, é uma imensa jogatina, mas como Aleksei: “há muito não sei o que se passa no mundo, nem na Rússia, nem aqui.” Nunca saberemos.

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/…/o-jogador-de…/

Por Luiz Ribeiro

Um outro clássico: O Idiota 

Escrito em meio a crises de epilepsia, O Idiota mexe com a interioridade das pessoas. Príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin, personagem principal da obra, desencadeia uma série de sentimentos nos outros personagens e no leitor. Sua tremenda compaixão e bondade equiparam-se quase com a de Cristo e sua loucura com a de Dom Quixote. A parte mais intensa do livro é quando refere-se às relações de Nastácia Filíppovna com o príncipe, que consequentemente, envolvem Rogójin e Aglaia Ivanóvna. Todos os personagens têm aspectos psicológicos muito bem desenvolvidos, tudo interliga-se de alguma forma e giram ao redor de Liev Nikoláievitch. Todo o amor e o ódio a ele são destinados, a pena, a busca por salvação, a fuga…
O livro possui quatro partes, quatro partes incríveis! É impossível perder o foco, é como se cada personagem fosse tratado como um universo à parte, mas que ao mesmo tempo é simultâneo aos outros. Ouso dizer que todos os sentimentos e dilemas do ser humano estão ali retratados. Eu poderia ficar oras falando sobre, os assuntos abordados são muitos e de formas incríveis. Contudo, cabe ao leitor se deliciar com esse livro e buscar através dele reflexões do seu “eu”.

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/…/o-idiota…/

Por Yasmeen Pereira

 

Outras obras: Duas Narrativas Fantásticas

Diferentemente de maioria das mais famosas obras de Dostoiévski, este livro tem realmente um toque fantástico, apesar de ele funcionar como uma metáfora para a pesada realidade a qual retrata. Este livro é formado por dois longos contos, o primeiro deles é “O Sonho de um homem ridículo”, no qual conhecemos um narrador que se diz ser ridículo e indiferente a tudo e a todos, e assim não tem motivos para viver. Então ele resolve se matar. Porém, dorme com a arma na mão e acaba sonhando com um mundo puro, onde todos são bons e não há maldade alguma. O homem acorda e resolve perseguir o que ele acredita ser a mensagem de seu sonho: pregar a verdade e o amor ao próximo. O segundo conto chamado “A dócil” é praticamente um grande monólogo de um homem tentando entender porque sua jovem esposa, tão dócil, se matou. Os dois contos trazem reflexões sobre o suicídio, de alguma forma, mostrando dois lados diferentes. Um mostra um homem que voltou-se para a vida após um sonho surreal e outro mostra um homem atormentado pelo suicídio da esposa. Enfim, são dois contos com diversos pontos em comum e que retratam bem o estilo do autor.

Por Amanda Leonardi

Luiz Antonio Ribeiro
Formado em Teoria do Teatro pela UNIRIO, mestrando em Memória Social na área de poesia brasileira e graduando do curso de Letras/Literaturas. É adepto da leitura, pesquisa, cinema, cerveja, Flamengo e ócio criativo. Em geral, se arrepende do que escreve. Facebook: http://www.facebook.com/ziul.ribeiro Twitter: http://www.twitter.com/ziul

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