10 livros para não indicar nem ao pior inimigo!

O Indique um Livro é um site de resenhas de livros. Em geral, tentamos fazer com que as pessoas leiam e não com que as pessoas não leiam. Entretanto, às vezes, nos deparamos com algumas obras que, logo de cara, começamos a dar risada ou desconfiar de que há algo de errado, ou com a obra ou conosco. Então, lá pra página 100 percebemos o que é: O LIVRO É MUITO RUIM! E não adianta: um livro ruim (não um livro ruim qualquer, mas aquele que nos faz rir e ter raiva ao mesmo tempo), mas muito ruim, às vezes, de tão ruim, nos faz lê-lo até o fim e, até, indica-lo para outra pessoa.  Ah, e colocamos indicações de livros que amamos, também, é claro, mas que sofremos tanto ao ler que não indicaríamos a ninguém!
Eis, então, nossa lista de 10 livros que lemos e, por terem sido tão importantes para a nossa vida de leitor, resolvemos recomendar, embora, no fundo, não recomendaríamos a sério nem aos nossos piores inimigos. Confiram!

*Nota: Esta matéria é também uma brincadeira. Não leve tão a sério as coisas, muito menos suas paixões, e se divirta um pouco junto com a gente.

 rachel

1- A Maldição, de Rachel Lee

A Maldição foi um livro inesquecível pra mim. Nunca mais me esqueci de ter passado algumas horas lendo a obra. A sinopse é algo como:
Uma veterinária, Markie Cross, começa a perceber que os animais andam estranhos. Aí as pessoas começam a desaparecer e terem seus corpos encontrados com traços incomuns de morte, algo sobrenatural, possivelmente. Então, ela e o legista Declan começam a pesquisar o passado da ilha e descobrir segredos.
Assumo que já não esperava muito da obra, mas mesmo assim algumas coisas me vieram de surpresa, como o fato dos cachorros pensarem e as pessoas fazerem sexo quase o tempo inteiro, com a autora dizendo e repetindo “chupava o pau dele…”. Ah, e há também um fantasma, Anne, que quando passa, deixa um frio na nuca, ou faz uma nuvem escura, mas, na hora de matar destrói todas as células deixando apenas o sistema nervoso para que a vítima sofra. Trata-se, também de um fantasma viciado em sexo, e no final queria um corpo para fazer sexo, abandonando até seu maior tesouro.
A maldição é, por fim, algo como a série Julia e Sabrina, aquela das bancas de jornal, do suspense. Nem mais, nem menos. Se eu fosse não indicar um livro pra alguém, seria esse.

Por Luiz Ribeiro

 

2- Diário de uma Paixão, de Nicholas Sparks

No livro que o consagrou como escritor de histórias de amor, Nicholas Sparks conta a história de Noah Calhoun e Allison Nelson e seu amor de verão na década de 40. Noah é um jovem trabalhador e Allie vem de uma família de posses, o que certamente afeta a relação entre os dois. A história, que pretende falar do amor e seus obstáculos – sendo o tempo o maior deles, é repleta de clichês e exageros, o que poderia ser justificado devido ao público alvo do autor (adolescentes), porém a excessiva adjetivação e o recorrente uso de imagens que se desenrolam em emoções forçadas estragam uma história que poderia ser bela e comovente, se contada de outra maneira. Diferentemente da boa adaptação do livro para os cinemas (Diário de uma Paixão, de 2004), o livro de Nicholas Sparks não consegue explorar a história de amor dos jovens de uma forma envolvente e, por este motivo, transforma o enredo em uma narrativa piegas e maçante.

Por Luisa Bertrami D’Angelo

 

3- 50 Tons de Cinza, de E. L. James

O livro é, na verdade, a história de uma Ana, uma jovem imatura, insegura e complexada que se encanta por Grey, um homem rico, poderoso, charmoso e lindo. Em razão de todos esses atributos e pelo fato de Ana se sentir tão inferior, ela aceita tudo a que é submetida, uma vez que pensa ser incapaz de se envolver com alguém melhor que Grey.

A linguagem é pobre e a história cansativa. Se divide em diálogos de Ana com o “irresistível e misterioso” Grey, os pensamentos infantis e imaturos dela, e as intermináveis narrativas da vida sexual do casal, o que não permite que a história se desenrole. Outro problema de 50 Tons de Cinza encontra-se na tentativa da autora em transformar um romance “água com açúcar” em um romance erótico revolucionário. Apesar das cenas apimentadas, a autora fez questão de deixar claro que no final de tudo quem “deve” vencer mesmo é o amor.

Confira a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/07/05/as-razoes-pelas-quais-detestamos-50-tons-de-cinza/

Por  Isabela Lapa

 

4- Dragões de Éter, de Raphael Draccon

O que acontece se juntarmos personagens dos contos de fadas, colocarmos numa aventura épica, ambientado em terras medievais? Nada de muito interessante, nesse caso. Para falar a verdade, esta obra deturpa os personagens e o resquício do psicológico de suas historias originais, fazendo qualquer leitor apaixonado pela fantasia se sentir incomodado. Os diálogos bobos e exagerados (com direito a 5 ou mais pontos de exclamação para cada fala); história com início, meio e fim forçados, tentando muitas vezes (quase sempre) nos dar a ideia de que estamos assistindo um filme; e erros de coerência, fizeram este livro de 2007 manchar o nome da literatura fantástica brasileira. Para completar, nomes de elementos da trama foram nitidamente copiados da série Final Fantasy, como magias, personagens e lugares. Mesmo Draccon declarando que dentre suas inspirações estava a tal série de jogos eletrônicos, o uso dela no contexto não chegou a ser medíocre e, para quem a conhece, causou repulsa.

Por Italo Machado

 

5- Coração Apertado, de Marie Ndiaye 

Como um suflê francês, “Coração apertado”, da escritora Marie Ndiaye murcha antes da página 100. Dois professores subitamente são atacados por uma cidade. A agressividade sugerida pela opressão dos colegas e alunos aos poucos deveria se transformar em uma macabra trama sobre a hostilidade dos dias de hoje. Mas, a fantasia da história descamba para situações absurdamente irritantes, descrita de forma exagerada, verborrágica, e até um tanto cafona. Se a obra lembra “Cachê”, filme do austríaco Michael Haneke, ela jamais alcança sua perturbação ou incômodo, uma vez que a cabeça de Nádia, a protagonista, não é nem complexa o bastante pra bancar o absurdo da trama, nem misteriosa o suficiente para potencializá-la, mas só confusa, como a de qualquer outro esquizofrênico.

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/12/04/coracao-apertado-de-marie-ndiaye/

 Por Leonardo Cândido Simões

 

6- Antes de dormir, de S.J.Watson

Antes de dormir, de S.J.Watson conta a história de uma mulher que acorda um belo dia e não se lembra de nada sobre si. Não sabe quantos anos tem, não sabe quem é o homem ao seu lado, não sabe onde está. Ou seja, uma trama já meio batida, mas tudo bem, vamos dar uma chance ao livro, talvez a história não seja original, mas quem sabe o final será surpreendente, ou o clima sombrio dê um ‘charme’ especial à história. Quem sabe? Bem, às vezes, continuar certas leituras pode ser um grande erro. Além de não ter final arrebatador, nem charme especial, Antes de dormir se enche de viradas desnecessárias, que aparentemente buscam distrair e espantar o leitor, mas que só tornam a história cada vez mais confusa e fazem você se perguntar se o problema de memória não é do autor (o que chega até a dar uma graça involuntária ao livro, tenho que admitir). Resumindo: ganhei o exemplar de presente de uma amiga, mas não tive coragem nem de emprestar para ela mesma, quando me pediu.

Por Laiane Flores

 

7- The Bell Jar, de Sylvia Plath

Entrar em contato físico ou psicológico com o inimigo é cruel. Mais cruel ainda é quando o inimigo não é ninguém menos que você mesmo. A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath, traz uma história concisa sobre a decadência de Esther Greenwood, uma jovem que começa a conquistar uma vida que milhares de jovens desejam, e que a coloca numa espiral de indagações sobre sua condição enquanto profissional, enquanto mulher e enquanto ser humano. Não é muito difícil resistir aos chamados obscuros da morte quando reflexões como essas nos batem à porta todos os dias, e a leitura de A Redoma de Vidro é quase como pisar em cacos e sangrar junto com a personagem, que deseja de todas as formas apagar sua própria existência. Apesar da narrativa maravilhosa e da semi-biografia da autora (que acabou cometendo suicídio), A Redoma de Vidro nos faz entrar em contato com sentimentos soterrados que eu não desejo nem para o meu pior inimigo. Ainda mais se ele for meu espelho.

Por Má Dias

 

8- Um Dia, de David Nicholls

Pois bem, sabe aquele livro que todo mundo elogia e diz que é maravilhoso, que recebe as melhores críticas dos melhores críticos do mundo e é um best-seller absoluto, mas que você só o lê para poder ver o filme? “Um Dia”, de David Nicholls, encaixa-se PERFEITAMENTE aqui.

Extremamente comercial e por vezes cansativo, não sei como tem gente que chora com esse romance água-com-açúcar. É um livro muito bom, calma! Só não faz o meu tipo. Adoro romances e histórias de amor, gosto de finais felizes tanto quanto de finais trágicos e inesperados, como o que esse livro nos traz – o que o torna um pouco melhor. A primeira parte, por exemplo, é extremamente aborrecida e lenta, e toda a história, cheia de clichês, só começa a melhorar a partir da terceira parte.

Mas eis que chegamos às últimas páginas e o livro, como já deixei claro, nos surpreende de uma forma totalmente inesperada. Nicholls conseguiu me surpreender e emocionar quando eu menos esperava, admito, e verdade seja dita: a proposta do livro é excelente, mas…por via das dúvidas, eu não indicaria.

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/07/04/um-dia-de-david-nicholls/

Por João Meireles 

 

9- O Segredo, de Rhonda Byrne

Seguir as dicas para obter uma felicidade instantânea parece ser muito fácil com O Segredo. E essa ilusão, que pôs o livro entre os mais vendidos há alguns anos, só provou que foi um livro produzido com ares de autoajuda-provada-cientificamente-em-um-laboratório-qualquer para vender. É um livro que não desejo que nem meu inimigo leia porque ele ilude demais. Chega a fazer um capítulo inteiro sobre como é possível imaginar que uma pena vai aparecer na sua frente, dizendo que passar por essa etapa você está a um passo de conseguir também imaginar os seus feitos e conquistá-los. A grande falha do livro é diminuir o valor das ações, pois é muito fácil afirmar que se encontra a plena felicidade imaginando o que virá esquecendo que é necessário agir e lidar com consequências, caminhos inesperados e sim, a angústia de não conseguir um resultado. O Segredo acaba por transformar o desejo em um mero mecanismo de pedir e ter, quase infantil, com o sujeito em relação ao mundo, como se este devesse uma lista que precisa ser cumprida na hora que se quer, riscando qualquer indício de angústia e fracasso. Mesmo que quem o leia se esqueça que há milhões no mundo esperando o mesmo depois de ter lido o livro.

Por Marina Franconeti

 

10- Adeus, Por Enquanto, de Laurie Frankel

A velha máxima que “hoje em dia nada se cria, tudo se copia” pode ser atribuída perfeitamente ao mercado editorial, principalmente no que tange aos livros direcionados ao público feminino. O que pode ser o diferencial na proposta de Frankel,  é a parte tecnológica, que tenta dar um aspecto modernizado a uma história de amor que senão fosse esse detalhe, seria tão clichê quanto às outras.  No romance, Sam trabalha como programador em uma empresa de relacionamentos e desenvolve o algoritmo perfeito, programado para ligar a pessoa a sua alma gêmea, e é assim que conhece Meredith. O relacionamento está indo muito bem, eles são a prova que o algoritmo funciona, até que Meredith perde sua avó, Livvie, e fica devastada.

O livro não é exatamente ruim,  dá para ler tranquilamente e passa bem o tempo, mas falta autenticidade. Apelar para o sentimentalismo exacerbado e uma crítica velada ao “isolamento causado pelas redes sociais”, para mim, já são assuntos muito batidos e não é a junção de ambos na mesma narrativa que faz a diferença.

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/11/14/adeus-por-enquanto-de-laurie-frankel/

Por Marianne Wilbert 

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Estas resenhas foram elaboradas pelos colaboradores do Indique um Livro ou enviadas por um leitor. Os créditos estão dados ao final do texto. O Indique um Livro é um projeto Literatortura.

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