Indique um Autor: José Saramago

José de Sousa Saramago (16 de novembro de 1922, Azinhaga, Portugal – 16 de junho de 2010 – Tiás, Espanha)

 José Saramago, quando recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1998, em seu discurso afirmou que o homem mais inteligente que ele havia conhecido era analfabeto. No caso, seu avô, criador de porcos. O que fez Saramago, com isso, foi lembrar de onde ele saiu e no que ele se tornou em sua vida. Além disso, queria ressaltar para os literatos que, para que ele chegasse no lugar em que chegou, foi preciso o trabalho, o esforço e as mãos de muitas pessoas. Uma vitória nunca é solitária.

Um dos escritores mais bem sucedidos em língua portuguesa no século XX, o autor entrou para o hall dos grandes clássicos pela sua capacidade de entender o homem, tanto no individual, tanto em sua forma coletiva, das organizações simples – de pessoas, os grupos – e complexas – como os estados, as industrias, entre outros. Em geral, é bastante conhecido pela ironia (segundo ele, aprendida com Eça de Queiroz), pelo humor mordaz, pelo ateísmo implacável, pela tendência esquerdista e pela grande capacidade de contar histórias dialogando com a tradição e com a cultura ocidental.

Publicou obras que se tornaram clássicos como Evangelho Segundo Jesus Cristo, o Ano da Morte de Ricardo Reis e A Jangada de Pedra. O Indique um Livro fez um especial com algumas de suas obras. Confira!

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Obra-Prima: Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio sobre a Cegueira é uma obra que conta o relato de um mundo de cegos. Um dia, um homem no meio do trânsito deixa de enxergar. Perdido retorna para casa e é levado a um consultório médico. Aos poucos, pessoa a pessoa daquele lugar começa também a cegar. Assim cria-se um ambiente de caos social em que os doentes são postos em quarentena e o mundo passa a ser regido por um estado de exceção. Uma espécie de apocalipse se dá pela cidade em que grupos nômades cegos vão em busca de comida. A destruição é total!

A cegueira de Saramago, no entanto, é diferente de outras cegueiras. Ela, segundo descrição do livro, é branca e não negra. A cegueira branca é uma espécie de excesso de luz e pode nos dizer que, em um mundo do excesso de informações no qual tudo é tornado luz, falta espaço para que as pequenas e mais importantes coisas sejam iluminadas. Essa cegueira que toma as personagens do livro é uma espécie de parábola de nossa sociedade. O próprio autor afirmou em uma entrevista que o livro nasce da simples pergunta: “E se todos cegássemos, no que daria o mundo?”

Leia a resenha completa:

http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/03/16/ensaio-sobre-a-cegueira-de-jose-saramago/

por Luiz Ribeiro

 

Primeiros passos: Claraboia

Claraboia foi um livro dado como perdido. Enviado pelo autor para um editor, ficou esquecido e guardado, e a permissão para seu lançamento era com uma regra apenas: esperar sua morte. O livro é uma reflexão sobre o amor, a dor, dúvidas e solidões que podem arrebatar o ser humano em qualquer momento. Abaixo, explicação do próprio Saramago sobre o romance:

“É a história de um prédio com seis inquilinos sucessivamente envolvidos num enredo. Acho que o livro não está mal construído. Enfim, é um livro também ingênuo, mas que, tanto que me recordo, tem coisas que já tem que ver com o meu modo de ser.”

Apesar da ótima trama e história extremamente atrativa, o que acaba saltando aos olhos do leitor é a maneira de escrita. Ao contrário de outros romances de Saramago, aqui existem travessões, frases e capítulos curtos. Porém, ao se mergulhar na leitura, nota-se toda ironia do escritor presente na entrelinha. É o embrião de um escritor que viria a despontar e encantar o mundo anos depois.

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/03/11/claraboia-de-jose-saramago/

Por Matheus Mans

 

Vale a indicação: As Intermitências da Morte

“As Intermitências da Morte” (Companhia das Letras, 200 páginas) de José Saramago, tem como premissa uma ideia genial: a ausência da morte. Um dia, não se sabe quando, ninguém morreu.

A partir disso, a imortalidade, que é sempre tão sonhada por nós, é desnudada do seu encanto, e torna-se o agente direto da catástrofe estendida sobre esse desconhecido país onde se passa a história – provavelmente Portugal, terra do autor. O Estado vê-se perdido, e a Igreja – tema analisado sempre que possível pelo autor – fica em situação pior. Afinal, se não existe mais o temor da vida e a exclusividade do céu aos que padecem da condição de pecadores, por que as pessoas continuariam sendo fiéis?

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/11/26/ideia-furada/

Leia outra resenha da obra:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/08/24/as-intermitencias-da-morte-de-jose-saramago/

 Por Leonardo Cândido Simões

 

O mais diferente: Os Poemas Possíveis

Publicado pela primeira vez em 1966 pela editora Portugália, o livro sofreu uma mudança em 1982, descrita pelo poeta como “não só revista, mas emendada também”. Para Saramago a edição trata-se de uma versão repaginada onde “quase tudo nela é dito de maneira diferente”, mas para muitos é considerada uma de suas grandes obras. O livro “Os Poemas Possíveis”, foi escrito 19 anos depois da rejeição de sua obra “Claraboia” e foi ponto de partida para mais obras de poesia.

A obra é dividida em cinco partes: Até o Sabugo, Poema a Boca Fechada, Mitologia, O Amor dos Outros e Nesta Esquina do Tempo onde cada uma delas compõe, em uma sintonia singular, o conjunto de textos que estabelece o estilo pessoal e marcante do autor português. A que tocou-me com maior profundidade foi a primeira, onde o autor articula as mais diversas questões do ser humano, desde a linguagem e a arte que é produzida através dela até os mais profundos mistérios da psique, quando, por exemplo, faz referência à teoria psicológica de Freud em seus poemas “Psicanálise” e “Mais psicanálise”.

Leia a resenha:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/03/18/os-poemas-possiveis-saramago/

Por Ana Martins

Vela a lembrança: Ensaio sobre a Lucidez

Ensaio Sobre a Lucidez, publicado pela primeira vez em 2004, é sobre a capital de um país que, no dia das eleições, grande parte da população resolve não sair para votar, por conta de uma chuva. Quando o desespero já se fazia latente pela cúpula do governo, as pessoas saem todas para as sedes eleitorais, mas o resultado surpreende: a grande maioria dos votos é em branco. Sem a validação do resultado, outra eleição é marcada para a semana seguinte. De novo, outra surpresa: 83% da população vota em branco. E agora? O que fazer? Como o resultado é democrático, mas impede a manutenção de um modelo de democracia, o governo e os membros dos partidos se veem sem saída e resolvem decretar um estado de sítio na cidade, afim de que a população “desgovernada” tome consciência do erro que é sabotar a democracia que “tanto se lutou para obter”. O que acontece? Nada.

Enquanto isso, do outro lado, o que faz o governo? Procura um vilão, um culpado, um subversivo, uma horda de violentos necessitados. E o que encontra? Novamente, nada. Apenas uma mulher que nunca havia cegado, seu marido oftalmologista, um cão que lambe suas lágrimas e um comissário que ao invés da cegueira branca é tomado, como que de súbito, por uma lucidez branca como a paz.

Leia a resenha:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/03/16/ensaio-sobre-a-lucidez-de-jose-saramago/

Por Luiz Ribeiro

Para o público infantil:

- A Maior Flor do Mundo

Em “A Maior Flor do Mundo”, José Saramago, que não se julgava capaz de escrever um livro para as crianças, se transformou em personagem para contar sobre uma idéia que teve para uma história infantil. De acordo com ele, o personagem do seu livro, caso este viesse a ser escrito, participaria de uma aventura ecológica longe do conforto e do comodismo a que estava habituado e nesta aventura encontraria uma flor, a maior flor do mundo.

Um grande destaque desse trabalho é que ele foi elaborado com um simples do esboço daquilo que viria a ser a história mais linda de todos os tempos. O que Saramago não sabe é que o esboço atingiu o objetivo que ele pretendia alcançar com o livro e sem dúvida se tornou uma das histórias mais lindas e encantadoras que eu já tive a oportunidade de ler.

- O Silêncio da Água, de José Saramago

O Silêncio da água é um dos textos retirados do livro “As Pequenas Memórias”, publicado por José Saramago no ano de 2006 e que reúne memória da sua infância. Com ilustrações delicadas e sensíveis de Manuel Estrada, o conto retrata a vida de um garoto que foi pescar no Rio Tejo e se surpreendeu ao encontrar um peixe enorme, que foi mais forte que ele e puxou o anzol.

Triste e indignado por perder o peixe e os seus utensílios de pesca, o garoto retorna à casa da avó para buscar novos equipamentos de pesca e lutar para pescar o exato peixe que “lhe deu o bote”.

 Leia a resenha completa: http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/10/06/jose-saramago-para-criancas/

Por Isabela lapa

Uma obra curta: O Conto da Ilha Desconhecido

Após vencer toda a burocracia, o homem conseguiu falar com o rei e fazer o seu pedido: ele queria um barco para partir em busca da ilha desconhecida. O rei, intrigado com o pedido, informou que não existiam ilhas desconhecidas e que o homem perderia tempo e correria riscos, uma vez que não era marinheiro. No entanto, o homem do barco insistiu e teve o seu pedido atendido pelo rei.

Quando se retirou do castelo para ir às docas escolher o seu barco, foi acompanhado pela mulher responsável pela limpeza do palácio, que viu no sonho do homem uma oportunidade para mudar o seu destino e resolveu acompanhá-lo. Acontece que mesmo tendo o barco, eles não tinha tripulação e não conseguiram encontrar ninguém disposto a encarar a aventura.

Com poucas palavras Saramago conseguiu construir um conto inspirador e repleto de reflexões. Os personagens inominados e aparentemente simples se revelaram complexos e intensos, com pensamentos relevantes e que contrariavam as suas posições sociais: ele, o homem do barco; ela, a mulher da limpeza.

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/02/25/o-conto-da-ilha-desconhecida-de-jose-saramago/

Por Isabela Lapa

Uma obra (quase) esquecida: Levantado do Chão

“Levantado do Chão”, obra de José Saramago publicada em 1980, lançada mês passado pela Editora Cia. das Letras – que passou a ter a obra completa do escritor em seu catálogo -, e logo aclamada pela crítica em Portugal, é uma narrativa dolorosa sobre a vida da população do Alentejo, área rural de Portugal em que a economia é baseada no latifúndio, o que já agrega em si alguns problemas sociais como exploração e condições precárias de vida da mão de obra. Para se ter uma ideia, Saramago dedica esse livro “à memória de Germano Vidigal e José Adelino dos Santos, assassinados”. A história nos traz, principalmente, a história da família Mau-Tempo, discorrendo sobre alguma de suas gerações e suas terríveis condições de trabalho no campo, bem como suas lutas por melhorias e por suas sobrevivências.

Uma história sem finais felizes. Uma história que denuncia. Uma história magnificamente contada, sobre uma gente que, ironicamente pisoteava a própria dignidade para alcançar o mínimo de felicidade.

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/09/11/levantado-chao-jose-saramago/

Por Má Dias

 

Saramago, a biografia, por João Marcos Lopes

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/07/06/saramago-biografia-de-joao-marques-lopes/

Acesse a matéria: José Saramago, rapsodo do mundo contemporâneo, um pensamento anti-bíblico no Literatortura:
http://literatortura.com/2013/08/jose-saramago-rapsodo-mundo-contemporaneo-pensamento-anti-biblico/

Luiz Antonio Ribeiro
Formado em Teoria do Teatro pela UNIRIO, mestrando em Memória Social na área de poesia brasileira e graduando do curso de Letras/Literaturas. É adepto da leitura, pesquisa, cinema, cerveja, Flamengo e ócio criativo. Em geral, se arrepende do que escreve. Facebook: http://www.facebook.com/ziul.ribeiro Twitter: http://www.twitter.com/ziul

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