7 livros de vampiros: dos clássicos aos contemporâneos

     Há alguns anos, ler livros sobre vampiros era praticamente moda, devido aos lançamentos de séries juvenis como Crepúsculo e Diários do vampiro. Porém, a literatura vampira vem de longa data, muito antes da febre adolescente (que, pelo que parece, finalmente acabou!). Desde mesmo antes de Bram Stoker, já havia grandes escritores a desenvolver suas narrativas sobre as criaturas das trevas que bebem sangue humano. Porém, não é só de best sellers e de antigos clássicos vive a literatura sangrenta dos vampiros (apesar de Stoker ser inegavelmente imortal, portanto ele está, sim, nesta lista como leitura recomendadíssima para quem gosta de vampiros).

    Muitos autores – inclusive escritores contemporâneos e até alguns nacionais – exploram outros lados desses seres, outras perspectivas de possíveis mundos habitados por vampiros além dos clichês maniqueístas explorados repetidamente por muitos escritores. Os melhores livros sobre essas criaturas pulsam, quentes como sangue, pois representam algumas das mais sagazes metáforas para as mais sombrias faces da alma humana. E tais metáforas encontram-se tanto em clássicos como Drácula como também em livros mais recentes que valem muito a pena a leitura.

    Portanto, siga em frente e beba das palavras vermelhas derramadas nos livros aqui listados – e comente sugerindo qualquer livro interessante sobre vampiros que não esteja nessa lista.

Drácula, de Bram Stoker

As narrativas sobre vampiros habitam o imaginário humano e têm-se manifestado na literatura de maneiras bem diferentes, desde o terrível e demoníaco sugador do sangue alheio ao mocinho sem cor e indefeso que se recusa a beber sangue por achar nojento. É notória a mudança na abordagem da temática, na apresentação desta figura lendária, por ora deixemos de lado essas narrativas Crepusculares para focarmos em um vampiro de natureza singular, o conde Drácula.

A obra escrita por Bram Stoker é narrada em primeira pessoa pelas personagens envolvidas, exceto pelo próprio Drácula, é somente por meio da denúncia das personagens que chegamos ao vampiro, nunca por um relato escrito pelo próprio conde. A primeira narração é de Jonathan Parker que a caminho da Transilvânia para prestar serviços a um rico conde que por lá vive, resolve escrever em um diário suas impressões da viagem que faz desde Londres. Sua noiva, Mina Murray, ficara em Londres esperando por ele. Ao chegar ao castelo transilvânico, Jonathan percebe que coisas estranhas acontecem por ali, a primeira delas acontece quando lobos cercam a sua carruagem, mas se espantam com o cocheiro e correm desesperados; a segunda é a escuridão que habita o castelo; a ceia é prepara e posta muito rapidamente sem que haja empregados no castelo também assusta e aos poucos Jonathan começa a perceber que há algo de errado naquele lugar. Suas suspeitas se concretizam quando, ao entrar em um quarto cuja entrada havia sido proibida pelo conde, encontra quatro caixões sendo que apenas um estava vazio, nos outros havia três lindas mulheres. Jonathan lança mão de diversos artifícios para conseguir fugir do castelo horroroso no qual se encontrava prisioneiro e consegue escrever à sua amada pedindo-lhe socorro algumas semanas após a fuga.

Leia a resenha completa: http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/08/15/dracula-de-bram-stoker/

Por: Francisco Venâncio

Os Sete, de André Vianco

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Autor: André Vianco
Editora: Novo Século
Páginas: 379

A noite sempre causou assombro ao ser humano. A clareza da luz do dia deixando-nos aos poucos na completa escuridão. Aquele momento no qual estamos mais vulneráveis. Nos abrigamos. Nos protegemos. Mas de que? De quem?

A resposta de André Vianco para esta indagação pode não agradar a todos, pois ainda tem gente que não acredita em vampiros.

O enredo desta história vampiresca tem início quando uma caravela portuguesa naufragada há séculos é descoberta no litoral brasileiro, mais precisamente em Amarração, no Rio Grande do Sul. Dentro dela uma enorme caixa de prata contendo sete cadáveres aprisionados, e sete palavras que a princípio não faziam o menor sentido. Aparentemente, os desafortunados da embarcação haviam sido acusados de bruxaria. Um claro aviso pedia para manter-lhes distância, uma superstição e nada mais. Especialistas e universitários pretendiam estudar os corpos, que apesar de secos, estavam em perfeito estado de conservação, causando espanto e gerando uma enormidade de questionamentos, cujas repostas farão com que fiquemos alertas, principalmente, depois do sol se pôr.

Leia a resenha completa: http://indiqueumlivro.literatortura.com/2015/03/03/os-sete-de-andre-vianco/

Por: Bia Fonseca

Prince Lestat, de Anne Rice


Autora: Anne Rice
Editora: Knopf
Páginas: 458

Depois de mais de dez anos desde o lançamento do último livro das Crônicas Vampirescas, Anne Rice voltou a escrever sobre Lestat, Louis, Armand e companhia, e assim lançou, em outubro do ano passado, seu mais novo livro da série: Prince Lestat. Pelo nome, nota-se que este livro gira em torno do vampiro Lestat, o criador de Louis e narrador de vários outros romances da série. Porém, quando digo que gira em torno digo que literalmente a narrativa ocorre em torno de Lestat, de forma que ele não está presente no livro durante todos os capítulos (nem durante boa parte deles!), mas tudo que acontece está relacionado de alguma forma com Lestat e com o desfecho do romance.

Dividido em quatro partes, o livro começa com um Lestat isolado e atormentado por uma misteriosa voz que fala com ele dentro de sua cabeça. No decorrer do livro, cada capítulo mostra personagens diferentes – aparentemente sem ligação entre si além do fato de serem vampiros (e de muitos outros ouvirem também a voz que Lestat ouve, e sobre a qual saberemos mais no desenrolar da narrativa) ou de conhecerem vampiros – até que, depois da metade do livro, é revelado o que os une e um possível desastre que poderá destruir todos os vampiros, o que resulta no fato de muitos deles pedirem a Lestat que os lidere (o que começa a explicar o motivo do título do livro).

Leia a resenha completa: http://indiqueumlivro.literatortura.com/2015/03/01/prince-lestat-de-anne-rice/

Por: Amanda Leonardi

HQ de Entrevista com o Vampiro: A história de Cláudia, de Anne Rice (arte e adaptação de Ashley Marie Witter)

Autora: Anne Rice
Arte e adaptação: Ashley Marie Witter
Editora: Rocco, 2015
Tradução: Daniel Ribas

Sempre que leio histórias de vampiros fica com a nítida impressão de que o assunto principal não são eles, mas nós mesmos. Seguindo a trilha de Fernando Pessoa que dizia que “o mito é nada que é tudo”, percebo na lenda dos vampiros uma opacidade que nos expõe naquilo que nos é mais urgente. A voracidade pelo sangue do outro, o fascínio pela morte, pela outra vida, pela imortalidade, a sedução pela noite, pelos becos escuros e, principalmente, por um prazer que pode nos matar. Isso é ser vampiro e, porque não, é ser humano.

Entrevista com o Vampiro é a adaptação em HQ do famoso romance, vendedor de milhões de cópias, de Anne Rice, por Ashley Marie Witter. Desde o começo, percebe-se a principal mudança em relação ao livro: a perspectiva principal da obra não está nos olhos de Louis ou Lestat, os dois vampiros principais, mas da menina Cláudia, tornada vampira ainda criança, impossibilitada de crescer e obrigada a ver sua maturidade a aprisionada em um corpo infantil. A história gira em torno da relação entre os três e da tentativa de Cláudia em destruir seu criador – Lestat – e, encontrando outros vampiros, poder saber mais de sua raça.

Leia a resenha completa: http://indiqueumlivro.literatortura.com/2015/03/12/entrevista-com-o-vampiro-de-anne-rice-arte-e-adaptacao-de-ashley-marie-witter/

Por: Luiz Antonio Ribeiro

Noturno – Guillermo Del Toro e Chuck Hogan

Um avião repleto de passageiros simplesmente apaga assim que chega a Nova Iorque. Todos os tripulantes morrem instantaneamente, misteriosamente. A equipe de Controle de Doenças é chamada e, aos poucos, descobre o inevitável: eles voltaram. Os vampiros estão na América.

A questão é: como combater esses seres? Como evitar o pânico público? Entre essas perguntas e burocracias, a equipe, encarregada de conter o mal formada por Eph e Nora, se vê encurralada pela polícia e pelo governo, não muito interessados em saber a verdade, e busca refúgio e explicações com Setrakian, um antigo professor e estudioso dos vampiros. Este senhor, sobrevivente dos campos de concentração da segunda guerra, já há muito estuda e procura destruir o vampiro principal, espécie de “drácula”, chamado de Mestre.

Noturno de Guillermo Del Toro e Chuck Hogan é o primeiro livro da Trilogia da Escuridão em que um grupo de pessoas unidas por motivos distintos se veem nessa batalha para conter a completa dominação da nossa civilização por vampiros que se proliferam em progressão geométrica. O livro, dividido em capítulos de pequenos trechos, nos expõe fragmentariamente como todas as esferas do sistema capitalista americano se mobiliza, se sente abalado e até se aproveita dessa praga que assola a sociedade.

Leia a resenha completa: http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/08/15/noturno-guillermo-del-toro-e-chuck-hogan/

Por: Luiz Antonio Ribeiro

Anno Dracula, de Kim Newman


Páginas: 376
Editora: Aleph

E se o final de um dos maiores clássicos da literatura tivesse um final diferente? Kim Newman pensou bastante nas possibilidades ao escrever Anno Dracula. “Em Drácula, de Bram Stoker, Van Helsing e três aliados irrompem no quarto do casal Harker e, armados de hóstia e crucifixos, afugentam o monstro antes que transformasse Mina em vampira. E se fracassassem?” Esta é uma obra de ficção, a qual seu foco se baseia em outras obras de ficção, e por isso Newman foi bem ousado.

Londres está praticamente dominada por vampiros, embora eles e homens convivam sem muitos problemas. O problema maior surge quando alguns vampiros que vagam pelas ruas desprotegidos, geralmente prostitutas, são mortos de forma brutal e metódica. Ele é apelidado de “Faca de Prata”, fazendo alusão ao Jack Estripador. Desde o começo, no entanto, se sabe que quem está assassinando esses vampiros é o Dr. Jack Sewart. E esse fato prende o leitor ao máximo no livro, mesmo já revelando um personagem tão crucial.

Leia a resenha completa: http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/08/21/anno-dracula-de-kim-newman/

Por: Italo Machado

Contos Clássicos de Vampiros, de Vários Autores

O leste europeu possui diversos mitos e folclores que compõe seu imaginário frio e, ao mesmo tempo, rico. O principal destes mitos talvez seja o vampiro – um homem incapaz de morrer que se alimenta do sangue de suas vítimas vivas, tornando-as também vampiros. Esta tradição, como sempre, também se refletiu na arte.
Contos Clássicos de Vampiro, da editora Hedra, é uma coleção de contos sobre o tema através da história. Há desde o primeiro relato sobre eles inclusive o primeiro conto relatado como O Vampiro, de John Polidori, quase simultâneo a um trecho de Lord Byron, com narrativa similar. Não poderia ficar de fora, é claro, a importante participação de Bran Stoker, talvez o responsável por imortalizar os vampiros em sua obra sobre O Drácula. O livro, com tradução de Marta Chiarelli, e com introdução de Alexandre M. da Silva nos mostra como essas histórias, além se de manterem em nossa vida, também se renovaram e ganharam novos detalhes. Como todo mito, os vampiros estão, mais do que nunca, vivos!

Por: Luiz Antonio Ribeiro

Amanda Leonardi
Bacharel em Letras na UFRGS, escritora e tradutora. Fã de Shakespeare desde criança, fanática por Poe, poesia e por literatura clássica e de terror em geral, e também por filmes de terror. Escreve contos e poemas e participou de algumas antologias de contos e poemas. Escreve matérias sobre literatura e cinema para o Literatortura e para a revista online Conexão Literatura.

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