Os 10 melhores livros para ler em um dia!

Tempos corridos. Vida atarefada. Muitos de nós temos o dia tão cheio de afazeres que pouca sobra tempo para os livros, não? No entanto, nosso amor é mais forte: lemos no ônibus, no horário de almoço ou até naqueles quinze minutos de descanso entre uma coisa e outra. Muitos deixam para ler antes de dormir, para sonhar com o mundo da arte! Para resolver o problema da falta de tempo, o Indique um Livro resolveu listar os 10 melhores livros para se ler em um dia, para aqueles que não têm tempo suficiente ou, simplesmente, querem gastar seu tempo com uma obra divertida e breve. Confira:

1- A Metamorfose, de Franz Kafka 

A história é conhecida por todos: Gregor Samsa acorda um dia de sonhos intranquilos transformado em um inseto. A metamorfose é uma obra que nos coloca de cara diante de diversas perguntas: É literatura fantástica? É uma parábola? Na verdade, Kafka compõe suas obras da maneira mais realista possível e tudo que se retira delas faz parte daquilo que escapa entre o que ele disse e pudermos entender. Com a Metamorfose não é diferente: a saga de Samsa, trancado em seu quarto, fora da cena, da família e da sociedade é rapidamente devorada pelo leitor que não consegue, como Gregor, se afastar de seus próprios fantasmas. 
É a obra mais palpável de Kafka, também o romance (meio novela) mais curto e, sem dúvida, é uma obra para se ler em um dia!

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/10/14/a-metamorfose-franz-kafka/

Por Luiz Ribeiro

 

2- A Revolução dos Bichos, de George Orwell

 Essa breve narrativa, escrita ainda sob o cair de bombas da Segunda Guerra Mundial, por vezes é deixada em segundo plano quando surge o nome de Orwell. A tendência é associarmos o autor à 1984, talvez sua obra-prima, mas A Revolução dos Bichos não fica atrás com suas 152 páginas. Usando magistralmente a sátira e a ironia, Orwell reconstrói alegoricamente a recente história da URSS, que à época constituía um dos braços da força Aliada contra Hitler, mas que já demonstrava uma aproximação com o autoritarismo mediante o governo stalinista. Através da história dos animais que se revoltam em uma fazenda com o objetivo de criar uma sociedade justa e igualitária, é possível ver claramente as referências à Revolução Bolchevique e personagens históricos como Stalin, Trotsky e Lênin. Apesar da forte marca temporal, é uma obra que não se desatualiza, pois aborda a questão da fraqueza humana perante a corrupção do poder, que o desvia de seus objetivos primários, (des) humanizando-o muitas vezes e dificultando um verdadeiro projeto de revolução política.

Por Bia Fonseca

3- Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie

 É a bordo do luxuoso Expresso do Oriente que vivenciamos a experiência de ler Agatha Christie. Um de seus livros mais vendidos e famosos. Para “alguém” com pouco mais de 100 páginas é um grande feito. Contudo, sabemos que quantidade nada tem a ver com qualidade, principalmente quando o assunto é literatura. O livro relata alguns dias na vida do detetive Hercule Poirot, que preso em uma tempestade de neve no atipicamente cheio trem, há de resolver um misterioso assassinato. A vítima é um americano que já o abordara temendo por sua vida, o que acabou se concretizando com 12 facadas. Reunindo pistas e entrevistando os passageiros, obviamente os únicos suspeitos, ele monta o quebra-cabeças, inclusive, com algumas peças só ele possui, deixando a grande revelação para o palco montado ao final, um verdadeiro espetáculo do raciocínio lógico, mas que ao mesmo tempo busca mostrar-se justo, cujo conceito nem sempre é sinônimo de justiça formal, devemos recordar. A história é conhecida e, inclusive, já foi retratada no cinema e televisão em mais de uma oportunidade, tendo também servido de inspiração para outras tramas, que leitor facilmente identificará, assim como aguçará seus instintos para a leitura policial.

Leia um especial sobre a autora:

http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/02/02/indique-um-autor-agatha-christie/

 Por Bia Fonseca

4- O conto da ilha desconhecida, de José Saramago

Esta é provavelmente a obra mais simples e genial de Saramago e pode ser lida de uma sentada, pois tem só 63 páginas. A narrativa conta sobre um homem que vai pedir um barco ao rei, pois deseja sair em busca de uma ilha desconhecida. Dizem a ele que isso é impossível, porque todas as ilhas já foram catalogadas pelos geógrafos do rei, mas ele insiste que é impossível que não exista uma ilha desconhecida e persiste com seu objetivo. A moça da limpeza do reino, que quer mudar de vida, resolve apoiá-lo em sua causa e o segue na busca daquilo chamado de impossível. O livro é uma grande metáfora para a procura de si mesmo epara a coragem de agir em circunstâncias difíceis, em direção a objetivos que muitos clama ser algo impossível de ser realizado. É uma busca pelo desconhecido de maneira a conhecer a si próprio, pois, segundo Saramago “é preciso sair da ilha para ver a ilha”, ou sair de si mesmo para se encontrar. Enfim, é um livro curto, com uma narrativa extremamente simples, poética e com metáforas impressionantes. Um livro que pode ser lido e relido em poucas horas (e com certeza vale a pena relê-lo várias vezes!).

Leia a resenha completa:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/02/25/o-conto-da-ilha-desconhecida-de-jose-saramago/

Por Amanda Leonardi 

5- Sobre a modernidade, de Charles Baudelaire.

Em apenas 70 páginas, Baudelaire consegue escrever uma verdadeira ode ao artista plástico autodidata, em suas palavras, ao “homem do mundo”. A personagem Constantine Guys é descrito como um indivíduo de personalidade única cujo método se destaca por utilizar os elementos guardados na memória e não desenhar a partir de modelos existentes na natureza. Baudelaire discorre ainda sobre o belo e sobre a dificuldade em defini-lo. Segundo o ensaísta, a beleza é sempre dualista, ou seja, ela é constituída por um elemento eterno e outro circunstancial, o clássico e o moderno, que somente juntos podem alcançar a verdadeira beleza de um objeto. Por fim, Baudelaire resume a Modernidade como a habilidade necessária ao artista para captar o eterno a partir daquilo que é transitório. A edição da Paz e terra, 1996 é a mais conhecida entre os leitores deste interessantíssimo ensaio.

Por Francisco Venâncio 

6- Não nascemos prontos – Provocações filosóficas, de Mário Sérgio Cortella

Um texto breve, com poucos capítulos e de uma leitura relativamente fácil. Os conceitos apresentados por Cortella sobre o dia a dia das pessoas vêm recheados de senso comum, entretanto, as referências literárias contidas no livro são as melhores. Nomes como Cervantes, Shakespeare, Guimarães Rosa, Proust, Fernando Pessoa, Dostoievski aparecem dentre um montante de outros nomes que Cortella vai aos poucos citando em suas tais provocações. O leitor não precisará dominar todas as referências para entender o pensamento de Cortella, afinal, eu diria que este é um livro para leitores iniciantes com pouca bagagem e pouco tempo disponível para leitura.

Leia a resenha completa: http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/04/06/nao-nascemos-prontos-provocacoes-filosoficas-de-mario-sergio-cortella/

Por Francisco Venâncio

7- Pagando por sexo, de Chester Brown

Depois de levar um pé na bunda da namorada, o cartunista, Chester Brown, conclui que vai querer apenas sexo. Só que relações casuais dão muito trabalho. O atalho – a prostituição – releva-se um caminho muito mais complexo do que ele imaginava, mas não menos tortuoso do que uma relação de verdade. 
Aliás, esse é um confronto direto que a maravilhosa HQ, Pagando por Sexo, faz: só por que se paga por sexo faz dessa relação menos verdadeira? 
Honesto e bem humorado, Chester ri de si mesmo ao tentar responder essa pergunta, e percebe que o amor também é um tipo de prostituição, uma vez que em todas as relações você sempre está vendendo, ou negociando, alguma coisa. O que muda é a moeda. 
As 279 páginas são tão divertidas quanto uma noite inteira de sexo, mas passam voando como uma rapidinha na hora do almoço. Em qualquer dos casos, não deixa de ser bem prazeroso.

Leia a resenha completa: http://indiqueumlivro.literatortura.com/2014/07/23/pagando-por-sexo-de-chester-brown/

Por Leonardo Cândido Simões 

8- Mau começo, de Desventuras em série, de Lemony Snicket.

Escolhi este livro porque tenho uma lembrança muito delicada dos meus 13 anos, de passar uma tarde lendo Mau começo, o primeiro livro da coleção de 13 obras de Desventuras em série. Os infortúnios dos irmãos Baudelaire, que perderam os pais em um incêndio, chamam a atenção pela facilidade com que o narrador – Lemony Snicket, o misterioso pseudônimo de Daniel Handler – dialoga com o leitor, tentando nos persuadir de que não compensa envolver-se no drama das crianças. O que acaba não funcionando, pois somos tragados pelas páginas de cada um dos livros. Mau começo expõe o primeiro contato dos três irmãos com o grande vilão Conde Olaf, que os persegue em todos os livros a fim de ficar com a herança. Numa atmosfera sombria e estranhamente cômica em alguns momentos, a obra de Lemony Snicket é o início para o contentamento que é se tornar fã da série: passar uma tarde com a inventiva Violet, o brilhante Klaus e a pequena e exímia mordedora Sunny. Aproveite para dar início às Desventuras em série, que ainda este ano vai virar seriado pelo Netflix.

Por Marina Franconeti

9- Vincent – A história de Vincent Van Gogh, de Barbara Stok

Inspirada na biografia e nas cartas trocadas com Théo, a HQ Vincent expõe a história do artista pós-impressionista Vincent Van Gogh. É possível dizer que, hoje, é unânime a adoração por ele. Geralmente não discutimos a profundidade acerca dos matizes de cores exploradas pelo artista e como sua fatura foi revolucionária. Porém, as obras de Van Gogh provocam emoções indescritíveis, como, bem, muitas obras conseguem incitar. Aquela necessidade de explicar o belo pela própria obra, sem encontrar palavras que resumem as sensações.

Leia a resenha completa: http://indiqueumlivro.literatortura.com/2015/03/14/vincent-a-historia-de-vincent-van-gogh-de-barbara-stok

Por Marina Franconeti 

10- O Jardim de Cimento, de Ian McEwan

Este é, inegavelmente, um livro polêmico. Desde seu lançamento, em 1978, até hoje, tema venda proibida em diversos países. Mas o caso é que, exatamente pelo ar mórbido que carregam suas páginas, o leitor se vê simplesmente impedido de largá-lo. Abri um exemplar numa tarde em que estava doente, pensando em ler algo para me distrair e, quando vi, eram quatro da manhã, faltavam apenas dez páginas e eu não tinha me movido, os olhos arregalados, e tentava imaginar um final cabível para um livro tão irreverente. Narrado em primeira pessoa e com fortes elementos de literatura gótica, ele lembra, de certa forma, alguns escritos de J.D.Sallinger (talvez essa capacidade de deveras grudar o leitor à trama), o livro nos apresenta o cotidiano já um tanto peculiar de uma família intensamente ligada à casa antiga onde vive. Com a morte do patriarca, o jardim de cimento que ele passava os dias construindo ficou inacabado, pairando como o espectro do próprio morto sobre os filhos e a viúva. Após a morte desta, as crianças se veem sozinhas, desamparadas e acabam por ter de cuidar do imenso local sem ajuda alguma. A sequência de ocorrências que se seguem nesse lugar agora sem nenhuma lei é de deixar qualquer fã de Drácula boquiaberto e, claro, incapacitado de abandonar a leitura.

Por Laiane Flores

Luiz Antonio Ribeiro
Formado em Teoria do Teatro pela UNIRIO, mestrando em Memória Social na área de poesia brasileira e graduando do curso de Letras/Literaturas. É adepto da leitura, pesquisa, cinema, cerveja, Flamengo e ócio criativo. Em geral, se arrepende do que escreve. Facebook: http://www.facebook.com/ziul.ribeiro Twitter: http://www.twitter.com/ziul

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