As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin

Tudo teve início no ano de 1996, quando George R. R. Martin publicou o primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo. Desde então, um universo paralelo ganhou vida em páginas e páginas da mais bela e intensa fantasia. Dragões, intrigas e disputas por poder são regados a muito sangue, suor e lágrimas, como outrora Winston Churchill solicitara em nosso confuso e real mundo. Com a estreia de Game Of Thrones, adaptação da saga literária para a televisão, o furor pelos Sete Reinos ganhou mais adeptos, e um verdadeiro fenômeno mundial se consolidou. Contudo, como toda intensa paixão, é capaz de nos machucar, principalmente quando personagens super amados são arrancados de nós pelas mãos de seu criador, que, inclusive, nos deve mais livros, mais histórias e muitas mortes, afinal, valar morghulis.  Enquanto isso não acontece, que tal relembramos, sem spoilers, as leituras angustiantes, por vezes arrastadas, e em vários momentos eletrizantes, dos cinco livros da saga? Confira:

a-guerra-os-tronosLivro 1: A Guerra dos Tronos

Partindo de uma inspiração claramente medieval, e nada inocente, George R. R. Martin constrói um mundo fantástico e épico, mas absurdamente humano ao mesmo tempo. Intrigas, ódio, traição, sexo e violência se destacam em um local onde alianças surgem a partir de trocas de favores e casamentos arranjados, onde tronos são usurpados e servos traem seus reis. Cabeças, literalmente, rolam pelas páginas. A forma como a história é narrada, com cada capítulo dedicado ao ponto de vista e ao que se passa com determinados personagens, nos deixa ainda mais próximos daqueles que irão redefinir, à base de muito sangue, a história do fictício continente de Westeros.

furiadosreisLivro II: A Fúria dos Reis

Um ditado popular nacional poderia resumir o que se passa em A Fúria dos Reis: “É muito cacique para pouco índio”. São muitas coroas para pouco reino e Westeros colhe os amargos frutos que só uma guerra civil pode oferecer. Miséria e fome se alternam nessas páginas, mas a magia também se faz presente, afinal, dragões espreitam no além mar e o fogo traz ambiciosas promessas. Também é o livro no qual começamos a perceber que Martin tem a capacidade de ressuscitar aqueles considerados mortos.

capa-tormenta-de-espadasLivro III: A Tormenta de Espadas

O maior volume da saga é um divisor de águas e a consagração de Martin. É incrível seu poder de dar não apenas vida, mas pontos de vista a tantos personagens, fazendo, inclusive, com que tenhamos sentimentos conflituosos com relação a alguns deles. Vamos do ódio à empatia, e até à compaixão, por um vilão que até então era tido como cruel e insensível. Assistimos a um dos mais baixos e racionais de todos agir por puro impulso, ódio e vingança. E aquele que parecia invencível perde tudo em uma decisão equivocada, mostrando o jovem que ainda era. Outros apenas mantém seu padrão de comportamento gerador de ódio entre os leitores, apenas justificando nossa já existente sede por seu sangue. Aqui, personagens que tiveram capítulos arrastados no segundo livro tem mais destaque, como a Mãe dos Dragões, que em apenas uma palavra me conquistou. Uma parte afastada e fria de Westeros também ganha bastante atenção, A Muralha e as terras para lá dela , que através dos olhares do bastardo mais amado, Jon Snow, e do gordinho mais sortudo e simpático, Samwell Tarly, trazem os capítulos mais fantásticos, pois é lá que o inverno chega primeiro, e onde os mortos não estão onde deveriam.

o-festim-dos-corvosLivro IV: O Festim Dos Corvos

O mais curto, e ao mesmo tempo, mais longo dos livros da série tem a missão de dar continuidade ao terceiro e épico volume, que deixou o leitor sedento, ansioso pelo desenrolar de algumas histórias. Contudo, as páginas passam, os capítulos se arrastam, nomes se repetem e nada. Há pouca alternância de personagens diante da enormidade de vozes que a história possui, e aos que foi dada a oportunidade de falar, suas rotinas muitas vezes os consumiam. Alguns nadaram, nadaram e nadaram, para ao fim, morrerem na praia. Tramas, intrigas e maracutaias se desenrolaram, claro, é de GOT que estamos falando, mas outras são apenas mais do mesmo. Vemos pouco, ou melhor, quase nada da Muralha e dragões são só alusões distantes. Na verdade, o foco do livro é em Porto Real e adjacências, como Dorne e as Ilhas de Ferro. Entretanto, como Martin sabia que tal seleção não nos passaria despercebido, concedeu-nos uma explicação, e fez-nos uma promessa.

A Dança dos DragõesLivro V: A Dança dos Dragões

Martin cumpre sua promessa. Dá voz novamente aos personagens que tanto sentimos falta em O Festim dos Corvos, Jon, Arya, Bran, Tyrion e Daenerys, além de outros, como Sor Davos e até Melisandre, fechando lacunas e completando o contexto, do qual só tínhamos parte das informações. Aqui ninguém anda em círculos, todos avançam. Então, um cavaleiro outrora odiado retoma sua fala e percebemos que chegou a hora, aquele momento em que não se sabe de mais nada e tudo pode acontecer, pois a história avança temporalmente após páginas e páginas em que corria paralelamente ao Livro IV. Contudo, não só de personagens antigos o livro se faz, novas e surpreendentes peças também entram no Jogo dos Tronos, assim como algumas ressurgem, pois George gosta de nos surpreender, trazendo de volta personagens que acreditávamos estarem entre os mortos, e em mais de uma oportunidade.

Publicado em O que é que o livro tem?

Bia Fonseca
Bia de Bianca. Coleciono expectativas, lápis e canecas. Tenho a impressão de que apago mais do que escrevo. Blog Pessoal: http://oqueequeolivrotem.wordpress.com/ Twitter: https://twitter.com/BBiazilda
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