Tito Andrônico

Autor: William Shakespeare

Tradução: Beatriz Viégas-Varia

Editora: L&PM

Páginas: 126

 

Apesar de esta não ser uma das mais famosas e aclamadas peças de Shakespeare, é uma obra única e original, que deve ser lida por todo bom leitor do autor. Ainda mais se esse leitor gostar de cenas cheias de sangue (e mesmo que não goste, é bom ver o quão o bardo consegue ser versátil, pois essa peça tem um estilo único, com semelhanças somente com as cenas finais e mais sangrentas de Macbeth, Rei Lear e talvez Hamlet).

Diferentemente de outras peças de Shakespeare sobre batalhas entre reinos, como Júlio César, Antônio e Cleópatra, entre outras, que são inspiradas em fatos históricos, esta é completamente fictícia (ainda bem!). Digamos que essa peça faz a sede de sangue de Game of Thrones parecer até bem leve e tem cenas que agradariam todo bom espectador de Jogos Mortais. Em uma de suas mais marcantes encenações, a de Peter Brook, de 1955, era preciso ter ambulâncias na saída do teatro, de tantos espectadores que passavam mal ao assistir a peça. Por que tudo isso?

Imagine só: a peça conta a história de um general, Tito Andrônico, que voltou após vencer uma guerra. Ele trouxe consigo prisioneiros, filhos de uma rainha, chamada Tamora, que foi derrotada na guerra. Tudo começa com a execução de um dos filhos de Tamora, prisioneiro de guerra. Ela implora a Tito Andrônico que poupe a vida de seu primogênito, mas ele ainda assim ordena uma execução cruel e dolorosa ao homem.

Depois disso, seguem-se repetidas vinganças, primeiro por parte de Tamora e seus outros terríveis filhos. A rainha praticamente se torna uma vilã sanguinária após o assassinato de seu filho. Logo em seguida, a vingança volta, então por parte de Tito Andrônico e assim sucessivamente. As vinganças constantes vão desde mutilações, estupro e até canibalismo involuntário.

Essa peça, por ser tão sangrenta, foi por alguns tempos considerada até uma sátira, devido a seus constantes exageros. Porém, também pode ser interpretada como uma interessante alegoria, uma série de mudanças drásticas e dolorosas na vida de um general frio e desumano em uma pessoa melhor. Enfim, uma sátira ou uma alegoria ou somente uma boa história de guerra cheia de sangue e escrita por William Shakespeare, com toda certeza é uma obra que precisa ser lida, relida e, se possível, assistida ao vivo.

Amanda Leonardi
Bacharel em Letras na UFRGS, escritora e tradutora. Fã de Shakespeare desde criança, fanática por Poe, poesia e por literatura clássica e de terror em geral, e também por filmes de terror. Escreve contos e poemas e participou de algumas antologias de contos e poemas. Escreve matérias sobre literatura e cinema para o Literatortura e para a revista online Conexão Literatura.

One thought on “Tito Andrônico

  1. Gostaria ter o talento de Shakespeare que escreveu essas obras primas, cada qual mais interessante que a outra, pois eram o séculos XVII e XVII, intrigas, ciúmes e lutas palacianas. Embora fictícias se passava no momento histórico da época, todas essas tragédias com verdadeiros personagens. Escreveria no momento, na nossa época, acho que os teatros fervem encenando peças como o machismo, na nossa época atual e ainda tão cruel. Barbarismos também envolvem bebês, crianças, jovens, enfim os vulneráveis. A luta dos trabalhadores, o meio ambiente, a corrupção cara de pau. Contagiosa e descarada entre o círculo do sistema político e que faz da maioria das pessoas trágicos miseráveis e indigentes: as crianças são as mais sacrificadas: maus tratos, abusos, estupros, fome, e outros … A mim me parece que os conselhos tutelares e órgãos que tratam desses assuntos, cabides de emprego. Recebem seus salários e pronto. Aqui um menino de 11 anos que ia até o conselho, família classe alta, não escapou da morte cruel pela madrasta, o próprio pai e amigos. Até quando teremos que aguentar a besta e a grande meretriz do apocalipse sobre nosso mundo? Será que eu exagerei. Desculpe. Mas se não houvesse pessoas como vocês que nos trazem esses conhecimentos, e talentos, não aprenderíamos a pensar.

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