Rei Arthur e os cavaleiros da távola redonda, de Howard Pyle

Autor: Howard Pyle
Editora: Zahar, 2013
Páginas: 324

A princípio, o deslocamento de sete séculos pode assustar um pouco o leitor que encontrará nesta obra as lendárias histórias da cavalaria andante na era arturiana. Este romance ou novela de cavalaria foi escrito no século XIX, mas ambientado no século XII. Embora a matéria esteja distante, o leitor logo encontrará as referências da época em que o texto foi escrito como, por exemplo, os contos e fábulas escritos pelos irmãos Grimm.

Rei Arthur e os cavaleiros da távola redonda apresenta o cavaleiro cortês que duela por sua dama e que ora é guiado por magos ora protegido pelas fadas, há também as bruxas que tentam desviá-lo de seu caminho e tudo isso em meio a um cenário no qual  encontram-se lagos encantados e castelos e ilhas que se tornam invisíveis aos olhos humanos numa terra governada por reis e rainhas e cuja natureza simula o paraíso. (Alguma semelhança com os contos de fadas)?

Embora trate da corte do Rei Arthur, Howard Pyle não chega a descrever a famosa demanda em busca do santo graal pela qual os cavaleiros da távola redonda são comumente conhecidos. O foco narrativo aqui é a trajetória de Arthur desde sua infância até se tornar rei e  casar-se com Guinevere. Para dar conta desta feita, divide-se o texto em dois livros: O livro do Rei Arthur e o Livro de três homens notáveis.

No primeiro livro o narrador se encarrega de contar as peripécias de Arthur desde o seu nascimento até se tornar rei e conseguir conquistar o coração da bela Guinevere. Nota-se que em ambos os casos, o herói está protegido pela força divina ou mágica e que as personagens são tementes a Deus e suas ações são guiadas  pela magia. Arthur é salvo da morte quando criança pelo mago Merlin e, mais tarde, conquista o seu reino também por intermédio dos encantos do mago. Quando Arthur vê Guinevere pela primeira vez logo se apaixona e para conquistá-la, disfarça-se de jardineiro tornando-se irreconhecível aos olhos de seus súditos por meio de um gorro mágico e vai trabalhar em seu jardim para que possa vê-la todos os dias e servi-la de acordo com a tradição cavaleiresca. Também ao duelar pela primeira vez com o cavaleiro negro, Arthur recebe ajuda de Merlin e assim, consegue vencê-lo. Portanto, é notória a ação divina/mágica na ação e na glória das personagens.

Outro momento mágico e canônico deste texto é quando Arthur consegue retirar a espada Excalibur e sua bainha mágica de um lago encantado tornando-se assim invencível nos campos de batalha. Mesmo quando sua irmã Morgana trama contra a sua vida, Arthur consegue se salvar. É notória também a virtude do rei, pois mesmo sabendo que sua irmã tentou matá-lo, Arthur consegue perdoá-la e deixá-la ir embora com vida de seu reino.

No segundo livro, o narrador apresenta as histórias de Merlin, e de dois cavaleiros da távola redonda: Sir. Pellias, o gentil e Sir. Gawaine. Merlin se apaixona pela jovem Vivien que é fria e má, assim, quando o mago lhe ensina tudo o que sabe, Vivien o envenena e tira sua vida. Sir. Pellias o gentil é levado por uma fada para viver consigo no mundo encantado e Gawaine é forçado a se casar com uma velha feia e depois do casamento descobre que ela é, na verdade, uma linda princesa. Merlin e Vivien representam o amor impossível e que leva à morte, daí temos diversos exemplos como Tristão e Isolda, Romeu e Julieta… Pellias e sua fada representam o final feliz dos contos de fadas e a história de Gawaine é bastante semelhante à história da bela e a fera.

rei arthur

Afora toda essa narrativa excepcional, Howard Pyle ainda ilustrou a narrativa deixando-a bastante visual e plástica permitindo ao leitor, por exemplo, visualizar as vestimentas dos reis e rainhas e dos cavaleiros daquela época. A edição da Zahar traz um prefácio de Lênia Márcia Mongelli- especialista em literatura portuguesa e autora dos Fremosos Cantares – e as ilustrações originais de Pyle, além de diversos comentários que auxiliam na leitura.

Francisco Venâncio
Formado em Letras pelo Centro Universitário Padre Anchieta em Jundiaí/SP.

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