Os 13 livros mais importantes da literatura americana pós-45

A literatura americana após a Segunda Guerra Mundial passava por um grande debate, inserido dentro de um inescapável dilema de um país enquanto sociedade. Enquanto os filósofos alemãs como Adorno pensavam se ainda era possível fazer literatura após Auschwitz, os Estados Unidos viviam o chamado “sonho americano”. Isto, dentro de um contexto, significa sucessos, oportunidade e vida em progresso para toda a população e pouca ou nenhuma má consciência sobre o lançamento das bombas atômicas. Entretanto, a realidade era bastante diferente: em uma sociedade de sonho, existem grupos e pessoas que estão a margem dele. Aliás, é muito possível que o sonho se dê justamente à margem daqueles que não podem participar do sonho como, no caso americano, os negros, uma parcela dos judeus e uma série de homens incapazes de se encaixar na lógica trabalho, tempo, prosperidade. Afinal, a vida é muito mais que isso.

A professora Amy Hungerford, especialista no tema da universidade de Yale, ministrou um curso especificamente sobre esta literatura produzida após 45 e analisou aula a aula 13 dessas obras. O curso foi descrito por ela como:

“Em ‘O romance americano pós-45″ os estudantes vão se debruçar sobre uma série de trabalhos de 1945 até  presente. O curso traça um desenvolvimento temático e formal dos romances neste período, com foco na relação entre escritores e leitores, as condições de publicação, as inovações das formas dos romances, a capacidade do engajamento da ficção com a história e as mudanças da literatura em relação a cultura americana.”

O Indique um Livro listou os 13 livros analisados por Amy Hungerford (nem todos os livros possuem tradução em português). Ao final da lista, vamos publicar o link para as aulas online.

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Black Boy, de Richard Wright

Black Boy é um livro entre memória e ficção sobre a infância e juventude de Richard Wright. Ele é dividido em duas partes, “As noites do sul”, onde conta suas aventuras no sul do país e “O Horror e a Glória”, com seu início de adolescência em Chicago. Trata-se da história de um rapaz negro em um país em que apenas brancos faziam sucesso. A cada narrativa e cada etapa entendemos cada vez mais como alguns preconceitos se colocam na memória e como, para alguns, as barreiras para uma vida plena são, muitas vezes, quase intransponíveis.

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Sangue Sábio, de Flannery O’Connor

Sangue Sábio narra a história do jovem Hazel Motes que, dispensado do serviço militar e profundamente mudado, regressa a casa, ao Sul profundo e evangélico dos Estados Unidos. Aí vai encontrar a sua família em ruínas. Uma vez estabelecido, inicia uma desesperada batalha espiritual contra o fanatismo religioso da comunidade e em particular contra Asa Hawkes, o pastor “cego” e a sua filha adolescente e degenerada. Convicto da sua fuga de Deus, acaba por fundar a sua própria religião: “A Igreja Sem-Cristo”, uma decisão irônica e trágica sobre a qual se move esta narrativa extraordinária!

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Lolita, de Vladimir Nabokov

De forma tocante e irônica, o narrador e protagonista, Humbert Humbert- um homem de meia idade, cínico e intelectual, vem nos narrar sua história de amor obsessivo, por Dolores Haze, uma ninfeta de 12 anos de idade. Humbert vive as sombras de uma traumática paixão de infância pela namorada Annabel, que veio morrer de tifo. Após vinte e cinco anos ele voltou a se apaixonar, afirmando ter reencontrado Annabel em Dolores.

O livro não apenas trata de um amor que leva a ruína, mas também nos mostra uma detalhada viagem de redescoberta da América, e a forte exploração da esfera narrativa e de suas linguagens. Entretanto o que nos chama a atenção é a sedutora atmosfera de delicadeza e violência que se funde ao discorrer da narrativa.

Leia a resenha da obra:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/07/02/lolita-de-vladimir-nabokov/

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On the Road, Jack Kerouac

A narrativa segue a história e trajetória de Sal Paradise, um jovem escritor, inteligente e carismático, que segue os passos dos amigos e atravessa os EUA para buscar inspiração para o livro que tenta escrever. Durante suas andanças, conhece Dean Moriarty, um jovem descolado e moderno, que busca percorrer o país inteiro em busca de desafios pessoais e de autoconhecimento.

Primeiramente, pelo enredo, é claro o pertencimento à Geração Beat. O movimento quase ininterrupto e o anseio pelo desejo de autoconhecimento deixam isso claro. Os personagens, quase sempre boêmios intelectuais, formaram uma geração e influenciaram muitas pessoas ao redor do mundo.

Leia a resenha da obra:
http://indiqueumlivro.literatortura.com/2013/10/26/on-the-road-de-jack-kerouac/

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Franny e Zooey, de J. D. Salinger

Em ‘Franny e Zooey’, de J.D. Salinger apresenta dois contos publicados como livro pela primeira vez 1961, tendo originalmente aparecido em The New Yorker em 1955 e 1957, respectivamente. Franny se passa em uma cidade universitária durante a semana de jogos da Yale University e nos mostra o individualismo e egoísmo que ela percebe ao seu redor.

Zooey é um gênio um tanto emocionalmente destemperado que aos doze anos de idade tinha um extenso vocabulário. Enquanto Franny, sua irmã mais nova, sofre um colapso espiritual e existencial em Manhattan, Zooey vai em auxílio de Franny, oferecendo uma espécie de amor fraternal, buscando dar conselhos e compreender a irmã.

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Lost in the Funhouse, de John Barth

Lost in Funhouse é uma coletânea de contos do autor americano John Barth. As histórias pós-modernas são extremamente auto-conscientes e auto-reflexivas e são consideradas grandes exemplos de metaficção. Embora a reputação de Barth baseia-se principalmente nos seus longos romances, as histórias “Night -Sea Journey” , “Lost in the Funhouse”, e “Life- Story” contidas na obra são amplamente conhecidas.

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The Crying of Lot 49, de Thomas Pynchon

The Crying of Lot 49 é um romance de Thomas Pynchon publicada pela primeira vez em 1965. O menor dos romances de Pynchon, ele conta a história de Oedipa Maas, uma mulher que desenterra o secular conflito entre duas empresas de distribuição de correio. O caso realmente existiu e foi a primeira empresa a distribuir o correio postal; O romance é muitas vezes classificado como um exemplo notável de ficção pós-moderna. A publicação da Time incluiu o romance em seus “100 melhores romances em língua inglesa entre 1923-2005 “

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The Bluest Eye, de Toni Morrison

The Bluest Eye é um romance lançado em 1970. É o primeiro romance de Morrison e foi escrito enquanto ela estava ensinando na Universidade de Howard e criava seus dois filhos sozinha. A história é sobre um ano na vida de um jovem negra chamada Pecola que desenvolve um complexo de inferioridade devido à sua cor dos olhos e aparência da pele.

O romance se passa Lorain, Ohio, e tem como pano de fundo o meio-oeste dos Estados Unidos durante os anos seguintes a Grande Depressão. O ponto de vista se alterna entre a perspectiva de Claudia MacTeer como uma criança e como um adulto, e uma terceira pessoa perspectiva onisciente. Por causa da natureza controversa do livro, que lida com o racismo, incesto e abuso sexual de crianças, tem havido numerosas tentativas de proibi-lo de escolas e bibliotecas.

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The Woman Warrior, de Maxine Hong Kingston

Trata-se de um livro de memórias, ou uma coleção de memórias de Maxine Hong Kingston, publicado por Alfred A. Knopf em 1976. Embora existam muitos debates acadêmicos em torno da classificação de gênero oficial do livro, ele pode ser melhor descrito como uma obra de não-ficção criativa.

Ao longo do livro cinco capítulos, Kingston combina autobiografia com velhos contos populares chineses. O resultado é um retrato complexo das experiências do século 20 de sino-americanos que viveram na U.S na sombra da Revolução Chinesa.

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Housekeeping, de Marilynne Robinson

O livro conta a história de Ruthi, uma menina tranquila, sem amigos, que vive em uma cidade remota Idaho chamada Fingerbone. É, basicamente, a história de um trem que atravessas as montanhas frias de Fingerbone e cruza um lago que já causou a morte do avô de Ruthie por acidente e de sua mãe por suicídio, deixando Ruthie e sua irmã mais nova Lucille com a avó, Sylvia Foster.

Com uma linguagem lírica e exuberante, como nas paisagens que descreve, Robinson conta uma história assustadora da permanência em um lugar e de perda da natureza transitória e inocente do amor. Ela nos lembra que, apesar da fragilidade das relações humanas, nossos desejos de retê-las são o que nos curam.

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Meridiano de Sangue, de Cormac McCarthy

Em ‘Meridiano de sangue’ McCarthy reinventa a mitologia do oeste americano criando uma obra sobre uma terra sem lei, em que o absurdo e a alucinação se sobrepõem à realidade. Neste livro o leitor acompanha um rapaz sem nome e sem família, abandonado à própria sorte num mundo brutal em que, para sobreviver, precisa ser tão ou mais violento que seus inimigos. Recrutado por uma companhia de mercenários a serviço de governantes locais, atravessa regiões desérticas entre o México e o Texas com a missão de matar o maior número possível de índios e trazer de volta seus escalpos. Do mesmo autor do livro “Onde os Fracos Não tem Vez”, esta obra já foi lançada aqui no Brasil, embora seja um tanto quanto desconhecida.

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A Mancha Humana, de Philip Roth

Estamos em 1998, ano em que a América é lançada num furor libidinoso pelo processo de impugnação de um presidente e numa pequena cidade de Nova Inglaterra decorre o último ano da vida de Coleman Silk, um professor compulsivamente reformado, aviltado e viúvo e cujo trágico desmascaramento se desenrola contra o pano de fundo das revelações sobre Clinton. Este romance pungente, avassalador e completamente absorvente não tem paralelo em nada do que Philip Roth jamais escreveu: é um magnífico sucessor da “Pastoral Americana” e “Casei com um Comunista”.

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The Known World, de Edward P. Jones

O livro é um romance histórico, publicado em 2003, por Edward P. Jones. Situado em Antebellum, Virginia, a obra examina as questões relativas à propriedade de escravos negros por ambos os americanos brancos e negros. O livro foi publicado e recebeu aclamação generalizada dos críticos literários, com elogios específicos a Jones pela capacidade de produzir prosa de boa qualidade e de contar boas histórias.

Assista todas as aulas em que a professora analisa passo a passo todas as obras:

Luiz Antonio Ribeiro
Formado em Teoria do Teatro pela UNIRIO, mestrando em Memória Social na área de poesia brasileira e graduando do curso de Letras/Literaturas. É adepto da leitura, pesquisa, cinema, cerveja, Flamengo e ócio criativo. Em geral, se arrepende do que escreve. Facebook: http://www.facebook.com/ziul.ribeiro Twitter: http://www.twitter.com/ziul

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