Fui a Lisboa esquecer um amor, de João Meireles

Ler esse pequeno livro de poesia chamado plaquete, que desconhecia até então, foi uma daquelas surpresas boas que se tem na semana (e quem diria, numa segunda-feira?)

Conhecer essa história foi como ler os pensamentos de uma alma essencialmente poética, num significado mais puro do dicionário: manifestação de beleza; na íntegra, sem traduções, que foi direto para o papel. As vivências e sonhos construídos nas palavras são de uma excelência rara, resultando num efeito de “eu lírico passado ao leitor” agradável — em outras palavras, uma conversa aberta com o leitor, conseguindo prendê-lo em cada verso tão simbólico.

Essa dinâmica leve que nos conduz pelas folhas permite uma criação, ou recriação, de momentos de uma vida amorosa, de uma cidade, de passagens da infância, de sentimentos. São fotografias sutis, reais e cruas que não nos cansa, ou entra em clichês de falsos poetas. E dizer isso pode ser até errado, afinal:

“e o que é poesia?

e o que não é?”

Portanto, quem há de ser ou não um poeta?

João Meireles configura uma prosa poética rica, ímpar e saudosista no melhor sentido. Numa comparação distante, podemos vê-lo como um modernista, reverenciando tantos autores clássicos refinados, inalcançáveis, como autores que surgem e permeiam a literatura hoje. Essa intertextualidade combina elementos atuais em sua índole romântica (aqui um adjetivo) na realidade cotidiana, tal como deve ser, tal como ao lermos o título sentimos a proposta sincera — e ela não nos decepciona.

Serve para todos e todos os momentos, seja diante de desilusão amorosa, seja diante de uma nova ilusão. Fui a Lisboa esquecer um amor deve ser referência para produções poéticas jovens.

A Editora Macondo disponibiliza as plaquetes em sua página do Facebook (eles custam baratinho, passa lá).

Italo Machado
"Essa gente deve saber quem somos e contar que estamos aqui!". Como o Pequeno Nemo, tenho medo que descubram quem eu sou ou onde moro. Amante da fantasia, de tudo aquilo que conta o real de forma improvável. Cinéfilo e contista.

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